A Mãe terra grita por Agroecologia, Da Mãe Terra Esperança e resistência.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Assinada a lei que cria o Conselho Municipal de Juventude de Campina Grande.

Aconteceu na manhã desta quarta feira (8), no IPSEM em Campina Grande, a assinatura da lei que cria o Conselho Municipal de Juventude. Estiveram presentes no ato autoridades municipais e representantes de entidades juvenis. Em seu discurso o prefeito Veneziano do Rego destacou a importância deste conselho para o município e reconheceu o trabalho das entidades juvenis que a tempo tem pautado esta luta.

Lideranças juvenis comemoram a criação do Conselho Municipal de Juventude.

Lideranças das Pastorais da Juventude avaliam como positivo a criação do Conselho.

“A criação do Conselho Municipal de Juventude é resultado de todo um processo de articulação desde 2008, que as Pastorais da Juventude, desde o início estiveram motivando a criação do comitê pró-conselho, e posteriormente ajudando na organização das Conferências Municipais da Juventude”, afirmou Carlinhos Marinho, militante da Pastoral da Juventude, e um dos motivadores da criação do conselho.

A autonomia da juventude e a campanha #ConselhoDeJuventudeJáCG realizada via redes sociais também foi comentada por Carlinhos “É um passo importante pra juventude ter seu espaço de autonomia e não ser lembrada apenas em palanques políticos. A assinatura desta lei foi também estimulada pelas manifestações campanhas que promovemos pelas redes sociais, e pela mobilização das Pastorais da Juventude, Movimento LGBT, CUFFA, CENTRAC, REJU e outras inúmeras entidades juvenis do município”.

“Agora precisamos continuar mobilizando a juventude para participar do Conselho e conquistar mais políticas para o segmento no município. Direitos se conquista com mobilização” afirmou Maciel Cover, da Pastoral da Juventude Rural.

“Essa vitória aqui em Campina servirá para estimularmos os demais grupos das Pastorais da Juventude do Brasil a se mobilizarem para criação de conselhos municipais, por que botamos fé na organização juvenil” falou o Renato Moiteiro, da Pastoral da Juventude Estudantil.

Autoridades municipais reconhecendo a mobilização juvenil.

“Campina Grande é apenas a sétima cidade paraibana a ter uma lei que instituiu o conselho de juventude, temos muito pra avançar nesta luta com a juventude” afirmou Hélio Barbosa da Pastoral da Juventude do Meio Popular.

Diocese de Campina Grande recebe com muita alegria os símbolos da Jornada Mundial da Juventude.


Peregrinação da Cruz e do Ícone de Nossa Senhora pelas ruas da cidade reuniu mais de 10 mil jovens.
PJR em sintonia com a Jornada Mundial da Juventude.

Durante os dias 5, 6 e 7 de fevereiro de 2012,  os Símbolos da Jornada Mundial da Juventude estiveram em peregrinação pela Diocese de Campina Grande. No domingo (5), por volta das 15 horas, os Símbolos foram acolhidos na Fazenda do Sol, uma Instituição que cuida da recuperação de jovens viciados em drogas.

Por volta das 18 horas, a Cruz e o Ícone de Nossa Senhora foram recebidos na Avenida Brasília, percorrendo em procissão até as mediações do Instituto São Vicente de Paulo, (contornando o Açude Velho) onde aconteceu a Santa Missa concelebrada pelos Bispos Dom Jaime, futuro Arcebispo de Natal RN e Dom Dino, Bispo de Caruaru/PE e Bispo Referencial da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB. Posteriormente a missa iniciou-se a primeira noite da Vigília.

Jovens das Pastorais da Juventude carregando a Cruz.

Cerca de 10 mil pessoas estiveram presentes durante a procissão, que foi animada por grupos musicais católicos num potente trio elétrico, contagiando a multidão que pulava e cantava refrões como “no peito levo uma Cruz, no meu coração o que disse Jesus”. Jovens de diferentes organizações católicas compartilharam a tarefa de carregar a Cruz e os símbolos de Nossa Senhora.

As Pastorais da Juventude carregaram os símbolos por diferentes momentos. “Como nem todos os jovens rurais da diocese puderam vir para Campina Grande, devido à distância, levamos uma bandeira da PJR com a assinatura de diversos jovens, e colocamos esta bandeira na hora que tivemos a oportunidade de carregar a Cruz, para que os jovens do campo também se sentirem abençoados nesta peregrinação”, afirmou Jeferson Barreto, que participa da Pastoral da Juventude Rural.


Durante a madrugada, vários jovens estiveram presentes nos momentos de Vigília, que foi coordenada pelas diferentes expressões juvenis católicas da diocese. A primeira hora foi coordenada pelos jovens das Pastorais da Juventude que enfatizaram o sentido das cruzes que os jovens carregam em suas diferentes realidades: da violência dos grandes centros urbanos, dos trabalhos escravos no meio rural, das faltas de condições dignas de educação, da falta de projetos para a juventude.

Empolgação e fé da juventude na peregrinação da Cruz.

Na segunda feira (6) os símbolos percorreram por diversos pontos da cidade, como o Presídio do Serrotão, Hospitais e na Delegacia da Mulher. A noite houve mais uma vigília, desta vez na Catedral Diocesana, coordenada pelas paróquias da cidade. Na terça-feira, (7) os símbolos da Jornada Mundial da Juventude seguiram para a Diocese vizinha de Patos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Pastorais do Campo debatem desafios para os próximos anos


Situação da juventude do campo foi um dos destaques da reunião.
Do site da CNBB.
Mais de 40 lideranças, que atuam nas Pastorais do Campo: CPT (Comissão Pastoral da Terra), CIMI (Conselho Indigenista Missionário), PJR (Pastoral da Juventude Rural), Cáritas, Pastoral dos Migrantes e Pastoral dos Pescadores, estiveram reunidas no último final de semana, 4 e 5, na chácara Vicente Cañas, em Luziânia (GO).
O encontro serviu para socializar os desafios enfrentados pelos povos e comunidades que vivem no campo, conhecer o trabalho específico de cada Pastoral que atua junto a esta população, em vista de uma melhor articulação, fortalecimento e formação.
Foram apresentadas a situação sofrida pelos pescadores artesanais com a invasão dos seus territórios pela indústria do turismo, a burocracia do Estado que exclui as populações tradicionais das políticas públicas.
O integrante da Comissão Episcopal Pastoral para o serviço da Caridade, Justiça e Paz, dom Enemésio Lazzaris, bispo de Balsas (MA), acompanhou o encontro, juntamente com o assessor da mesma Comissão, padre Nelito Dornelas.
Neste encontro foi discutida ainda a conjuntura eclesial, a partir do documento da CNBB, “A Igreja e a questão agrária no inicio do século XXI”, além de tratar das Diretrizes Gerais de Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), contando com assessoria do teólogo padre Paulo Suess e do sociólogo Sérgio Sauer, para a análise da realidade do campo brasileiro.
Dentre os desafios, destacou-se a situação da juventude no campo. Dos 50 milhões de jovens brasileiros, oito milhões vivem no campo, dos quais quatro milhões estão no Nordeste, sendo que 2,5 milhões de jovens ganham até R$70,00 por mês, vivendo abaixo da linha de miséria. Tem também a problemática vivida pelos povos indígenas, com a invasão de suas terras pelos megaprojetos, expansão do agronegócio e do monocultivo e a morosidade na demarcação de suas terras, causando-lhes enormes sofrimentos, conflitos e violência, devido a omissão do Estado.
“O encontro foi permeado por uma profunda espiritualidade e grande consciência eclesial, visto que estas pastorais dão visibilidade à presença da Igreja em sua dimensão missionária e profética junto às populações do campo”, disse o padre Nelito Dornelas.
Após a reunião, ficou estabelecida linhas de ação: a luta pela reforma agrária e a defesa dos territórios dos indígenas e povos tradicionais (Construção do segundo Congresso camponês-2012); enfrentamento dos megaprojetos patrocinados pelo Estado (atuação permanente junto ao congresso e das populações atingidas) e articulação das Pastorais do Campo e os movimentos sociais (participação na construção e realização da 5ª Semana Social Brasileira).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

No Espírito Santo jovens buscam produzir de maneira agroecológica.



1ª REUNIÃO PARA FORMAÇÃO DO GPR NO GRUPO DE JOVENS DE BARRA DE BOA VISTA

No dia 01 de fevereiro de 2012 aconteceu uma reunião na casa da Beatriz Marins para a formação de GPR- Grupo de Produção e Resistência, na qual visa o benefícios para juventude camponesa que fez a opção de ficar na roça e necessita de oportunidades para geração de renda.

Após o Seminário Nacional da PJR em Espera Feliz - Minas Gerais, integrantes do grupo vieram mais alimentados pelas experiências compartilhadas por jovens também camponeses de diversos cantos do País.

O grupo contava com a presença de: Beatriz, Dica, Lucio, Renata, Daiane, Larissa, Rayane e Marlene.

A reunião começou as 18:00hs com uma breve conjuntura da situação da PJR a nível de Brasil , as conquistas e o que é o GPR. Após Beatriz ter feito essa explanação ao grupo começamos a discutir a vinda desse Grupo mais coletivo para a nossa região.

A proposta da reunião é proporcionar aos jovens da comunidade oportunidade de ficar no campo com renda digna e também de reafirmar a identidade ja assumida pelo grupo.

Será construído pelo grupo aviário para postura e carne, projeto esse que tem o apoio de zootecnista, técnica e administrador que são da PJR, fora os parceiros das entidades como associação local, igreja e grupo de base da comunidade.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Carta do X Seminário Nacional da PJR


Os participantes do X Seminário Nacional da Pastoral da Juventude Rural escreveram uma carta apontando o que foi estudado e discutido nesta atividade, bem como convocando a juventude camponesa a se organizar, confira:
Foto oficial do X Seminário Nacional da PJR, Espera Feliz-MG, 25 de janeiro de 2012.

Carta do X Seminário Nacional da PJR
Caríssimos irmãos e irmãs por causa de nossa fé comum
Motivados pelo seguimento a Jesus Cristo, o camponês de Nazaré, respondendo aos sinais dos tempos, aprofundamos a proposta dos “Grupos de Produção e Resistência - GPR”, como uma das formas de Grupo de Base da PJR, sob o lema “A Mãe Terra grita por Agroecologia”.
Isto só foi possível por causa da dedicação da PJR Mineira, do apoio das Comunidades e dos padres da Paróquia São Sebastião; e com a bênção do bispo Emanuel Messias, da Diocese de Caratinga, nos reunimos em Espera Feliz, MG, entre os dias 18 e 25 de janeiro de 2012, para o X Seminário Nacional da PJR. Infelizmente, pela falta de recursos, não conseguimos trazer jovens dos 23 estados do Brasil onde atuamos. Somos 119 jovens, vindos de 11 estados. E nos sentimos acolhidos neste espaço mineiro, lindeiro do Parque Nacional de Caparaó, na zona da mata, onde acontecem inúmeras práticas agroecológicas. É um chão onde se percebe a atuação da divindade através das relações de cuidado com a Mãe Terra.
Nestes dias:
a)      Retomamos a vida de Jesus Cristo, o camponês de Nazaré, nossa motivação maior;
b)      Olhamos, como jovens rurais, para a conjuntura brasileira, a partir da realidade agrária;
c)      Aprofundamos os conceitos de agricultura camponesa e agricultura familiar;
d)     Socializamos a experiências dos Grupos de Produção e Resistência – GPR que estão sendo desenvolvidas por integrantes da PJR, em vários estados do Brasil, bem como práticas agroecológicas desenvolvidas na região, participamos de oficinas sobre caldas e culminando com a visita a uma área agroecológica;
e)      Debatemos, com a ajuda da Cáritas Brasileira, a Economia Popular Solidária e os Fundos Rotativos Solidários;
f)       Refletimos sobre a cooperação agrícola, bem como as formas de cooperação;
g)      Aprofundamos o debate sobre os Grupos de Produção e Resistência procurando definir como será a nossa ação em favor de contribuir com a permanência dos jovens no campo;
h)      Fomos para a rua defender a vida e nos manifestar contra o uso dos agrotóxicos: defendemos o direito de todos de ter uma alimentação saudável;
i)        Participamos da celebração de São Sebastião, onde fomos acolhidos com carinho e rezamos com a comunidade;
j)        Recebemos a visita e a orientação da Comissão Episcopal para a Juventude, através de Padre Toninho.
k)      Diariamente nos alimentamos da mística e bebemos na fonte da cultura popular;
l)        Finalmente, fomos enviados para continuar a nossa missão, como discípulos missionários, nos colocando como jovens, a serviço da juventude camponesa.
Esperamos contar com o apoio de todas e todos nesta tarefa de evangelização, conscientização e organização de Grupos de Produção e Resistência. Convocamos todos os Grupos de Base a refletir com carinho sobre este novo passo. E convidamos a juventude cristã e camponesa a assumir a sua especificidade e a se organizar como PJR.
Um fraterno abraço a todas e todos
Participantes do X Seminário Nacional

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

“Fechamento de escolas é atentado às comunidades rurais”

Salomao Hage (UFPA) , analisou o  resultado de pesquisa que revelou 37.776 escolas rurais fechadas em dez anos



Por Mayrá Lima
Da Página do MST


Dados do censo escolar do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), do Ministério da Educação (MEC), registram que 37.776 estabelecimentos de ensino rurais foram fechados nos últimos 10 anos em todo o país.
Para o professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) Salomão Hage, a garantia constitucional do direito à educação foi substituída pela lógica da relação custo-benefício pelo poder público.
“As políticas públicas educacionais, há certo tempo, são orientadas pela relação custo-benefício, na perspectiva neoliberal. Os gestores públicos hoje são desafiados a apresentar cada vez mais resultados com cada vez menos financiamento”, afirma.
Hage acredita que essa é uma mágica difícil de materializar. “Como você pode atender mais, oferecer melhor qualidade, contemplar a diversidade em um país em histórica situação de negação de direito se o orçamento e investimento cada vez diminuem mais?”, questiona.
Para ele, a associação de desenvolvimento ao meio urbano é usada pela justificar o fechamento das escolas no meio rural. “O próprio poder público olha para esse processo de territorialização das populações do campo e rotula de disperso. Se está disperso, no sentido de estarem distribuídas ao longo do território, e se pode reuni-las, gastará menos de acordo com suas referências de qualidade. Assim começa o desenvolvimento das políticas de nucleação que, às vezes, não são de nucleação, mas de polarização”, critica.
Essa política desrespeita o Estatuto de Criança e dos Adolescentes (ECA), que indica que os educandos devem ser atendidos nas suas próprias comunidades. “As diretrizes operacionais para a educação básica no campo, as diretrizes complementares para as escolas do campo fortalecem essa ideia da necessidade da escola atender as crianças e os adolescentes, prioritariamente, na sua comunidade”, sustenta.
Leia entrevista à Página do MST com Salomão Hage, que coordena o grupo que estuda educação no campo na Amazônia e integra a coordenação do Fórum Paraense de Educação no Campo.
Como você avalia o fechamento de escolas por estados e municípios?
As políticas públicas educacionais, há certo tempo, vêm sendo orientada pela relação custo-benefício, por conta da perspectiva neoliberal. Os gestores públicos hoje são desafiados a apresentar cada vez mais resultados com cada vez menos financiamento. Isto é uma mágica difícil de materializar. Como você pode atender mais, oferecer melhor qualidade, contemplar a diversidade em um país em histórica situação de negação de direito se o orçamento e investimento cada vez diminuem mais? O resultado tem sido a aplicação de políticas educacionais que caminham no contraponto das demandas que os movimentos sociais do campo e da cidade, dos educadores, das universidades colocam como referência para a educação.
Como essa relação custo-benefício afeta as escolas do meio rural?
O Estatuto de Criança e dos Adolescentes indica que as crianças devem ser atendidas nas suas próprias comunidades. As diretrizes operacionais para a educação básica no campo, as diretrizes complementares para as escolas do campo fortalecem essa ideia da  necessidade da escola atender as crianças e os adolescentes, prioritariamente, na sua comunidade.  Isso significa o acesso pela comunidade aos conhecimentos historicamente produzidos e, em grande parte, as escolas são o único equipamento público existente. Por isso,  representam a presença do Estado naquela localidade. Onde a escola está presente, há uma movimentação da infância, da adolescência. A escola é espaço de reunião, de atividades culturais da comunidade, de discussão coletiva.
Qual o impacto da falta de escolas para crianças do meio rural, que vão estudar nas cidades?
As comunidades rurais em geral, estão distribuídas territorialmente de acordo com as demandas e as necessidades que as populações têm de sobrevivência, de trabalho, de relação que se estabelece com a terra, com a água, elas estão presentes há séculos. Há um processo de desenvolvimento sustentável a partir do processo de territorialização desenvolvimento destas localidades. Na medida em que o gestor é demandado para o atendimento - e não é um atendimento qualquer -  gestão publica cria alternativas pautadas por essa questão de custo benefício, que vai em sentido contrário às demandas e necessidades do processo de territorialização desenvolvido. 


O princípio também é inspirado por uma perspectiva 'urbanocêntrica'. Esse “desenvolvimento” é pautado na perspectiva do campo para a cidade, causando um processo de expulsão do campo na ideia de que, se eu concentro as pessoas posso atender mais, utilizando menos recursos. Uma coisa é atender 300 escolas distribuídas por todo o campo brasileiro, outra coisa é atender 20 escolas com as pessoas concentradas onde você não teria gastos com transporte, deslocamento e um conjunto de outras demandas para atender.
Como o Estado age nessa situação?
O próprio poder público olha para esse processo de territorialização das populações do campo e rotula de disperso. Se está disperso, no sentido de estarem distribuídas ao longo do território, e se pode reuní-las, gastará menos de acordo com suas referências de qualidade. Assim começa o desenvolvimento das políticas de nucleação que, às vezes, não é de nucleação, mas de polarização. Quando se aumenta o transporte escolar, você fecha escolas em comunidades mais distantes e reúne em comunidades rurais maiores ou traz para a sede do município. 
É essa perspectiva quantitativa da relação custo-benefício, a partir da perspectiva urbanocêntrica, que é aplicada pela gestão pública. Há ainda uma aceitação da sociedade, porque conseguem demonstrar que, por meio da oferta do transporte escolar, atendem toda a demanda e em todos os níveis. Isso acontece porque há uma  compreensão de que a cidade é o lugar do desenvolvimento, que consolida como natural esse movimento das pessoas se deslocarem do campo para a cidade.
O fechamento das escolas do campo pelo poder público segue esses princípios?
O fechamento das escolas é um atentado às comunidades rurais com o discurso de melhoria, ampliação e aumento da escolaridade. Só que não há lugar para todo mundo viver na cidade, no lado urbano. A população que vive nas cidades não vive essas promessas do desenvolvimento que a perspectiva urbanocêntrica apresenta. Quem vive bem na cidade? Quem vive no centro e quem tem um emprego significativo? A grande maioria vive muito mal na cidade, vive pior que as pessoas que vivem no campo. 


Nos últimos anos, foram fechadas mais de 30 mil escolas. Se a gente não abrir o olho. esse número amplia. Essa é uma luta que precisa unir todos os setores. Estamos na luta pelo Plano Nacional de Educação. O que nos une são as referências de qualidade da educação, a necessidade de um financiamento suficiente, a valorização e a formação dos profissionais de educação. Há uma luta pelos 10% do Produto |Interno Bruto para a educação cobra uma condição para desenvolver as escolas do campo e da cidade. 

No entanto, há demandas especificas do campo: apenas 30% das crianças são atendidas em nível de educação infantil no campo, segundo números do MEC. Com a emenda constitucional 59, consequimos que até 2016 o ensino será obrigatório dos quatro aos 17 anos. Como vamos atender as crianças menores, cujas mães trabalham no campo? Se a lógica é investir em transporte e deslocamento, como vamos fazer com as crianças de zero a 5 anos?
O discurso de que estão dispersas é uma forma pejorativa de tratar a territorialização das populações do campo, que se organizam de acordo com suas necessidades e com as relações que estabelecem com a floresta, com a terra, com a água. Não se pode simplesmente olhar para isso e dizer que é disperso.
Qual a sua avaliação das políticas públicas para a educação do campo, em nível nacional, nos últimos 10 anos?
Desde o final da década de 90, mais especificamente com a realização das conferências nacionais de educação do campo, com a criação e o fortalecimento de uma articulação nacional, que combina a participação dos movimentos sociais, universidades e setores do poder público voltadas para a questão da agricultura familiar e da Reforma Agrária, a gente tem dado passos significativos no sentido de pensar o campo brasileiro a partir da sua diversidade, demandas e necessidades, dentro da disputa política por outro projeto de sociedade.
O que avançou nesse processo?
O fortalecimento desse movimento foi capaz de fazer com que o MEC pudesse criar dentro da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade e Inclusão (Secadi)  uma coordenação de educação no campo.
A partir dela, foram criados alguns programas - como o Projovem Campo, o Saberes da Terra, o Procampo licenciatura plena e mesmo o Escola Ativa (que não teve uma discussão mais sistemática com o conjunto dos movimentos) - que começaram a provocar um certo movimento dentro da formação do educador, no âmbito da formação da prática educativa em todos os níveis de faixa etária. 
Além desses, teve avanços no Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), que foi criado da discussão entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Incra.
Há um protagonismo desse movimento que se desenvolveu de modo a mostrar que os sujeitos do campo também são sujeitos de direito e as políticas publicas precisam atender as suas necessidades.
Vivemos um momento de fortalecimento dessa consciência da necessidade do atendimento e da necessidade de demarcar as especificidades dos sujeitos do campo. Com isso, consolida-se a ideia de que o campo tem como contribuir com esse projeto de desenvolvimento. E que sem o campo o desenvolvimento pode não resultar em uma proposta significativa.
Qual a reação à maior participação dos movimentos sociais?
Esse processo de protagonismo tem despertado um desconforto daqueles que tem um projeto diferenciado para o campo e para a sociedade brasileira. Enquanto os movimentos fortalecem os modos de produção familiar no campo e as lutas camponesas pela Reforma Agrária, o agronegócio também está em franca expansão com um significativo financiamento, que entra em contradição com esse avanço que o movimento social vem desenvolvendo.
Insatisfação essa que, historicamente, foi construída na representação social que os povos do campo seriam atrasados e a agricultura familiar um projeto de fome, que não tem como contribuir para o desenvolvimento.
Ao mesmo tempo, o projeto do modo de produção familiar se apresenta como uma alternativa viável para o desenvolvimento com base na sustentabilidade, na economia solidária e nos princípios de educação crítica e transformadora. Essas disputas de hegemonias começam a fluir e os ataques vêm da mídia, das grandes corporações e, essencialmente, de instituições que, embora públicas, são direcionadas pela perspectiva privatista, patrimonialista.
Quanto mais avança, maior a reação desses setores?
É isso que a gente tem vivido de forma mais intensa nos governos Lula e Dilma.  No governo Lula, conseguimos avançar mais no diálogo entre os movimentos sociais, as universidades e o setor público, no sentido de apresentar editais, os programas, de formular legislações que pudessem reconhecer esse outro projeto, essa outra intencionalidade.
Projetos promovidos durante o governo Lula foram se ampliando, até que, com as reações, começaram a sofrer e ter a continuidade comprometida. Embora Pronera estivesse assegurado com o decreto, virou política pública.
Outros programas, com o próprio Procampo, estão ameaçados de serem substituídos pelo Pronacampo. Esse novo programa está sendo construído sem o diálogo com os movimentos sociais e com as universidades.
E no que a educação contribui para essa disputa de modelo de sociedade?
A educação conseguiu estimular a relação de movimentos sociais, universidades, setores do poder público mais alinhados com esse outro projeto de sociedade e de educação, na relação direta entre educação e trabalho, educação e desenvolvimento, na formulação de outro projeto de sociedade.
Na medida em que isso se consolida e se apresenta como uma proposta viável, que atende às necessidades da maioria, os blocos hegemônicos - que se orientam por outra perspectiva, por uma sociedade excludente, elitista e discriminatória - reagem em todos os sentidos para deslegitimar esse projeto.
Esses resultados são suficientes?
Essa situação de negação de direitos, não só para o campo, mas também para a população que mora nas periferias das grandes cidades, para as classes populares da sociedade brasileira é histórico. Tem pelo menos cinco séculos de existência. Não seriam 10, 12 ou 20 anos de protagonismo e tentativa de redimensionar o atendimento educacional que seriam suficientes para superar os níveis de pobreza da sociedade, que em sua grande maioria está no campo.
A precarização do campo data desde o inicio do Brasil enquanto Nação, mas esse  protagonismo tem se fortalecido com essa nova articulação. Mas há reação com a criminalização dos movimentos sociais, que são acusados de receber dinheiro dos órgãos públicos para fortalecer suas organizações.
E no que essa falta de diálogo e participação dos movimentos sociais na construção de novas políticas para a educação pode significar?
A falta de dialogo pode significar a não continuidade dos programas desenvolvidos como resultado dessa articulação entre os movimentos sociais e o poder público. Poderá significar um afastamento maior do MEC, da Secadi e da própria coordenação de educação no campo. Na medida em que se constrói novos programas e novas diretrizes sem a interlocução com os movimentos sociais e as universidades, esse afastamento tende a se fortalecer. Pode se configurar num programa que não atenda às necessidades e demandas.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Economia Popular Solidária, Cooperativismo e Agroecologia: três pilares para elaborar alternativas com a juventude camponesa.


O X Seminário Nacional da PJR tem apresentando discussões que buscam responder a questões tangentes a transformação da realidade da juventude camponesa. A efetivação de experiências de Grupos de Produção e Resistência tem animado os mais de 120 jovens presentes na atividade.

Momento místico onde se rezou a Mãe Terra.

No sábado e domingo (21 e 22) o estudo sobre a agroecologia teve atenção especial. O tema foi conduzido por três jovens participantes de grupos da PJR e que estudaram em Escolas de Agroecologia vinculadas a movimentos sociais do campo.

Agroecologia: o desafio de alimentar a população sem destruir o meio ambiente.

Gilmar dos Santos Andrade, baiano de Monte Santo, graduou-se em Agroecologia pela ELAA - Escola Latino Americana de Agroecologia, situada em Lapa/PR.  Nesta m esma ELAA estudou Gilvania Domiciano de Amorin, mineira de Divino. Já a capixaba Poliane Dutra cursa Mestrado em Agroecologia na Universidade de Havana/Cuba, num curso voltado para estudantes ligados a movimentos sociais do campo. Os três militantes da PJR explanaram conceitos atuais no campo da agroecologia, proporcionando aos jovens refletir sobre esta importante temática.

A grande carga de agrotóxicos despejada nas lavouras brasileiras, orientadas num projeto capitalista de agricultura é uma preocupação permanente. “Se dividirmos a quantidade de litros de agrotóxicos utilizados no Brasil anualmente, pelos 190 milhões de habitantes, notaremos que cada brasileiro bebe mais de 5 litros de agrotóxicos por ano, que vem através dos alimentos que comemos. Isso é preocupante” alertou Gilmar.

Para superar este quadro de agricultura que visa apenas o lucro em detrimento da saúde humana a agroecologia é apontada como uma saída. “Há técnicas para se produzir alimentos sem utilizar agrotóxicos, diversas experiências tem funcionando pelo mundo inteiro” informou Gilvania.

Porém, o campo da agroecologia se depara com grandes desafios, como reflete Poliane “o desafio é produzir sem agrotóxicos, respeitando o meio ambiente, respeitando quem trabalha no campo, e também dando conta de garantir a alimentação para toda a população brasileira”.

Gilvania explanando sobre os desafios da agroecologia.

Economia Popular Solidária: inserir a juventude em redes de comercialização solidárias.

No domingo e na segunda (22 e 23) um dos temas tratados foi a Economia Popular e Solidária. O agente da Cáritas, Ademar Bertucci, construiu um panorama sobre a economia atual, colocando as diferentes entre a Economia Capitalista, voltada para a produção de lucros e a Economia Popular Solidária, que é orientada na perspectiva de incluir as pessoas em projetos que promovam a distribuição das rendas obtidas com o trabalho.  
  
“Pensar em alternativas para a juventude camponesa permanecer no campo implica em pensar numa outra lógica de economia. Organizar grupos de jovens para produzir numa lógica capitalista é negar os princípios do evangelho” comentou o mineiro Eduardo.

Jovem que cooperar tem mais chances de permanecer no campo.

Na tarde desta segunda-feira (23) o dirigente do MST/ES Juraci Porto, explanou alguns conceitos relacionados ao cooperativismo na agricultura familiar e camponesa. A partir do estudo refleti-se sobre a necessidade de incentivar a cooperação entre os jovens, estimulando a criação de grupos de produção.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Dom Emanuel Messias visita o Seminário Nacional da PJR e deixa sua mensagem de esperança: “Não temais!”


Na ensolarada tarde mineira de sábado (21), o Bispo de Diocese de Caratinga/MG, esteve presente no X Seminário Nacional da PJR, deixando sua mensagem de acolhida e animação para o trabalho pastoral.  

Bispo saudando a juventude.

O Bispo se colocou de “coração aberto” com os jovens camponeses, como uma “presença amiga, de quem acolhe”.Em sintonia com o tema “A Mãe Terra grita por Agroecologia”, Dom Emanuel mencionou a importância de se realizar trabalhos em defesa da vida. “É a vida que está em jogo. É necessário defender a vida da morte que vem com os agrotóxicos e também com as barragens e outros projetos”.

Dom Emanuel proferiu a mensagem se referindo ao Evangelho de São Mateus: “Não temais” diante dos desafios que se apresentam pra juventude. “Estamos motivando os padres para uma abertura maior a tudo que venha a defender a vida da juventude” concluiu o Bispo.

Delegação mineira em foto com D. Emanuel.

A Coordenação Nacional da PJR, através do Secretário Laécio Vieira, agradeceu a presença do Bispo  e o presenteou com uns matérias que abordam temas relacionados ao trabalho pastoral com juventude rural.

Coordenação da PJR entregando materiais ao bispo.

Experiências Agroecológicas são o foco do segundo dia do Seminário Nacional da PJR.


Alegria, animação, diversidade, esperança. O segundo dia do X Seminário Nacional da Pastoral da Juventude Rural foi marcado pela partilha de experiências agroecológicas. Pela parte da manhã os jovens dos estados da Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais apresentaram experiências de agroecologia ligadas a Grupos de Produção e Resistência.
Momento de estudo sobre agroecologia.

O jovem Gilmário de Monte Santo, BA, apresentou a experiência do Grupo de Produção e Resistência da Comunidade Riacho da Onça. O grupo cultiva umbu e beneficia doces derivados desta fruta. Esta iniciativa de organização envolve seis famílias.

A jovem Beatriz, de Nova Venecia, ES, apresentou a experiência agroecológica de produção de galinhas onde o principio é o desenvolvimento da avicultura de base ecológica integrada ao café conillon no sítio dois irmãos – ES. Esta iniciativa surge da necessidade de diminuir a mão de obra com capina e roçada, através do biocontrole de plantas espontâneas, conseqüentemente reduzindo também os custo de produção e na intenção de aumentar a capacidade produtiva do café potencializando o ciclo energia interna, a partir dos dejetos depositados pelas aves, condição essa permitida pelo pastejo rotativo. Com apenas dois anos de experiência esta tecnologia agroecológica já é adotada por mais famílias do noroeste capixaba.

O jovem Cristiano, de Arroio do Meio, RS, partilhou sua experiência de cultivo de cana-de-açúcar e produção de melado. Com meia hectare de terra o jovem camponês gaúcho consegue produzir cana-de-açúcar, consorciado com pasto. Ele também cria uma vaca para produção de queijo e um porco para produção de carne.  Cristiano vive com sua mãe e produz melado de cana-de-açúcar, o qual é vendido em feiras em Arroio do Meio e Lajeado. A renda obtida com o melado, somado com a produção de alimentação da família é o que garante o sucesso da experiência agroecológica, que permite a Cristiano não precisar migrar para a cidade. “No começo as pessoas não acreditavam que seria possível trabalhar sem utilizar veneno, mas agora a agroecologia é uma realidade” concluiu Cristiano.
O jovem Martin apresentou as experiências agroecológicas que são desenvolvidas nas parcerias entre o CTA (Centro de Tecnologias Alternativas) e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Espera Feliz, que envolvem vários jovens.

Pensar e praticar a agroecologia.
A parte da tarde teve dois momentos. No primeiro o poeta e agricultor Amauri Adolfo conduziu um momento de reflexão sobre o corre-corre da vida atual, onde os jovens e as pessoas de maneira geral não tem tempo para pensar, discernir e cuidar do meio ambiente. Sentados no gramado verde, debaixo da sombra das árvores, os jovens ouviram belas palavras deste poeta agricultor; lições de vida sobre o cuidado com a terra e o próximo.


“Foi importante por que o Amauri fez a gente pensar sobre o que é agroecologia, e que tem a ver com uma postura de vida em harmonia entre todos os seres” afirmou o jovem catarinense Maicon Perdesseti.

No segundo momento da tarde os jovens visitaram a propriedade que utiliza praticas agroecológicas do Seu Tibúrcio no interior do município de Espera Feliz. O camponês produz café, consorciado com banana, feijão, milho e pasto para as vacas. Toda propriedade é cultivada sem o uso de agrotóxicos. O foco principal da produção de Seu Tibúrcio é o café, porém o agricultor busca produzir o máximo de produtos para sua subsistência e também para comercializar na feira do produtor.

Visita a experiência de métodos agroecológicos do Seu Tibúrcio.

“A visita foi muito importante para saber quais são os desafios de quem produz agroecologicamente. É interessante perceber que ele consegue fazer toda produção agroecológica, consegue sustentar sua família e manter um equilíbrio bacana entre agricultura e meio ambiente” destacou a potiguar Mayara Suelirta.

Momento de animação.

O X Seminário Nacional da PJR seguirá até o dia 25 de janeiro. Os mais de 100 jovens presentes de diferentes regiões do país seguem animados discutindo questões pastorais de cuidado da vida dos jovens e do meio ambiente.