A Mãe terra grita por Agroecologia, Da Mãe Terra Esperança e resistência.
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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Características da Identidade da PJR


Pastoral da Juventude Rural
PJR Brasil




Características da Identidade da PJR


A Coordenação Nacional (CN) da PJR, em São Leopoldo, RS, em março de 2011, fez uma reflexão sobre as características da sua identidade como Pastoral da Juventude Rural.
É o fechamento de uma reflexão iniciada em março de 2010. Esta reflexão se deu a partir de uma analogia que nos levou a refletir sobre a relação CASA – RUA. Na CN, em Piúma, no ES, que aconteceu em novembro de 2010, reafirmamos que estar em CASA e na RUA é constitutivo da PJR. Nestes últimos meses buscamos identificar quais as características de nossa CASA que não podemos abrir mão, pois fazem parte de nossa identidade.
Por isso:

1.    Reassumimo-nos como Pastoral da Juventude Rural, a saber:
a.    Pastoral, por sermos um serviço, com motivação no Evangelho, que nos convoca a nos colocar a serviço da vida.
b.    Da, por nos assumir como um espaço juvenil, com seu olhar, animação e protagonismo, em vez de atuarmos “para a” juventude.
c.    Juventude, compreendendo-a o sujeito que trabalha por estar na PJR, como o sujeito a ser trabalhado, por estar na roça, e, ao mesmo tempo um sujeito coletivo organizado (categoria social).
d.    Rural, assumido como o meio específico, com sua cultura camponesa, que nos leva a uma opção pelos jovens camponeses empobrecidos e a um olhar roceiro nesta sociedade urbanizada.

2.    Reafirmamos que a PJR tem como base os Grupos de Base, os quais precisam ter a “nossa cara”. Eles podem ser de diferentes tipos, a saber:
a.    Grupo nas Comunidades: formado por jovens que estão na roça, atuam na comunidade e procuram implementar pelo menos uma iniciativa concreta onde cultivam sua relação com a terra, com princípios agroecológicos.
b.    Grupo de Produção e Resistência – GPR: formado por jovens que se assumem como camponeses, optaram em ficar no campo e viver da roça e para isto se organizaram coletivamente para produzir, inclusive em pequenas agroindústrias.
c.    Grupo de Vivência: formado por jovens da roça, de localidades diferentes, que estão temporariamente na cidade para estudar ou em escolas que ficam na roça, mesmo as que atuam com alternância, e, se encontram porque decidiram ser camponeses.

3.    Percebemos que temos cinco características que constituem a nossa identidade, a saber:
a.    A Mística que exige o entrelaçamento de três raízes (como se formasse a unidade de uma trança): a Camponesa ligada a na Mãe Terra, a Cristã embasada em Jesus de Nazaré, martirizado e ressuscitado, e a Luta Popular com sua raiz que bebe na memória subversiva dos pobres e seu projeto popular. Precisamos nos alimentar da mística e dela alimentar a nossa práxis.
b.    A Luta contra todas as formas de injustiça, comprometidos por motivação cristã, em vista da transformação da realidade, rumo a um Projeto Popular, inclusive de Campo, que leve a uma sociedade para além do capital.
c.    O Campo ou roça, compreendido como um lugar de vida digna, de convivência ou sintonia com a natureza, onde procuramos desenvolver uma atividade concreta de trabalho, agroecológica, cooperação, ensaiando a mudança da matriz produtiva.
d.    O Estudo como necessidade de aprofundamento ou formação, a partir das demandas de teorização de nossa prática, o que inclui a formação política que nos prepara para atuarmos no mundo, bem como a profissional e universitária.
e.    O Companheirismo, por comermos do mesmo pão, fruto da natureza e do trabalho humano, e que exige uma relações de apoio e de cuidado com o outro, com a outra.

4.    Estes elementos se concretizam em dois espaços de atuação coletiva ou práxis:
a.    O Eclesial onde, como parte do povo de Deus, participamos da comunidade, onde precisamos ganhar espaço como Igreja organizada a luz dos Atos dos Apóstolos. Este é o espaço da fé.
b.    O Social onde, como militantes-cristãos, atuamos na Sociedade, em vista de sua transformação, atuando ao lado dos pobres, da classe trabalhadora. Este é o espaço da vida, da atuação política.

5.    Damo-nos conta de que podemos apresentar graficamente as características de nossa identidade através do desenho de uma estrela de cinco pontas, onde o Grupo de Base ou a PJR estão no centro e cada uma das características é uma das pontas que formam esta totalidade, que atua tanto no espaço eclesial como no espaço social, compreendidos como nossos dois braços.
Veja o desenho que segue:











Mística
 









 












6.    Reafirmamos que podemos como PJR contribuir junto aos Movimentos Sociais e inclusive neles atuar, especialmente quando forem do campo, apesar deles insistirem no corporativismo de sua sigla (considerar os seus militantes como sua propriedade privada), desde que não coloquemos em risco as características acima.

7.    Definimos-nos como militantes-cristãos (vide o texto da Missão), além de camponeses.




Para baixar o texto acesse:http://www.4shared.com/document/GDRzQZNX/Caractersticas_da_Identidade_d.html

Identidade da PJR


Pastoral da Juventude Rural
PJR Brasil




Identidade da PJR

Abril de 2011

A PJR tem a sua Identidade na sua própria denominação: Pastoral da Juventude Rural. Vejamos cada um dos termos:
1.     Pastoral:
a.     Somos uma Pastoral. Não somos um movimento eclesial e nem um movimento popular. E sempre tivemos um pé na Luta e o outro pé no Evangelho, pois vivemos a interação entre Fé e Vida. Por isso uns nos chamam de “igrejeiros” e outros nos chamam de “só fazer política”.
b.     Entendemos por Pastoral a arte de nos colocar a serviço da vida (Jo 10,10), a exemplo de Jesus de Nazaré. Ele teve compaixão do povo, que estava como ovelhas sem pastor, e pede para os discípulos se envolver com sua demanda vital (a fome mata). Jesus nos mostra o caminho que implica em ver o que o povo tem e sabe, depois ajudar para que ele se organize em grupos, base para uma nova convivência, a partilha (cf. Mc 6,34-43)
c.     Da práxis de Jesus nasce a nossa opção pelos pobres, pelos injustiçados.
d.     Somos cristãs e cristãos dispostos a fazer o seguimento de Jesus de Nazaré, o Cristo. Assumimos-nos como discípulo missionário. Para isto, como Jesus, nos colocamos a serviço do Reinado do Pai.
e.     Somos parte da Igreja, de uma Igreja que atua no mundo e para o mundo, como “sal” (sabor que nos motiva), tendo “luz” (rumo, por causa do Projeto) e sendo “fermento” (sujeito que se encarna para fazer a transformação). Estamos na Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) e somos ecumênicos.
f.      Desejamos ser uma Igreja diferente (ver os princípios eclesiais) e ajudamos a Igreja a estar presente entre os jovens. Somos juventude evangelizando jovens. Assim nasce a nossa opção pelos jovens, especialmente pelos jovens empobrecidos.
g.     ...
2.     Da:
a.     O “da” indica que é a juventude o sujeito desta sua organização pastoral. Não somos uma “ala jovem”, nem “tarefeiros” e nem “conduzidos por tios”.
b.     Somos um espaço juvenil, com seu olhar, animação e protagonismo. Não pretendemos atuar “para a” juventude.
c.     Propomos a construir “com a” juventude uma saída para os seus problemas. Somos juventude nos conscientizando, porque refletimos sobre a nossa ação.
d.     Nossa atuação é a partir “da” juventude.
3.     Juventude:
a.     Compreendemos os jovens como destinatários de nossa missão (vide no texto da missão).
b.     Ser jovem é um momento da vida (ciclo), que começa com a puberdade (ou adolescência) e termina com uma opção social (emprego, casamento, ...).
c.     Os jovens estão num momento propicio de quebra do censo comum em vista da formação de sua consciência e isto leva para relações de vida grupal, entre seus iguais, em vista de experiências e com postura de rebeldia.
d.     Mas Juventude é uma categoria social. Ela implica em jovens organizados e com uma causa. Neste sentido ela se torna, ao mesmo tempo, uma representação sociocultural, uma situação social, e sujeito coletivo de transformação.
e.     ...
4.     Rural:
a.     Rural indica o jeito de viver no campo, com a roça, enfim, é ser camponês e camponesa que vive e convive com a terra.
b.     A expansão agrícola produtora de commodities introduz monocultivos, que mais parecem desertos verdes, afetando a flora e a fauna, destruindo assim a biodiversidade existente, e vem ainda acompanhada do uso intensivo de agrotóxicos que contaminam os solos, as plantas e a água, e, indiretamente, os animais e as pessoas. Este alardeado avanço tem efeitos perversos sobre o ambiente e colocam em risco a soberania alimentar.
c.     Os camponeses têm o campo como um lugar de vida e não como um lugar de negócio.
d.     Temos a roça policultivada como uma interação com a natureza e compreendemos o planeta terra como alguém quer precisa de cuidado. A terra Gaia. Ela é nossa Mãe Terra.
e.     Somos juventude camponesa: queremos viver no campo e da roça. Assumimos a arte da agricultura camponesa, do seu cuidado com as sementes crioulas, com as fontes e mananciais, ...
f.      O rural aponta para a nossa especificidade e numa sociedade em processo de urbanização: somos diferentes e por isto apelidados de atrasados, de      Jeca”, por exemplo, o que fere a nossa auto-estima. Alguns jovens procuram rendem a negar a sua raiz negando seu ser roceiro, camponês; outros preferem dizer que moram na “zona rural”. Desde 1983 ressoa um grito: Jovem da roça também tem valor!
g.     Sabemos que, como camponeses, temos uma cultura própria e, ao mesmo tempo, de que ela é múltipla, pois o jovem da caatinga é diferente do jovem do cerrado, que é diferente do jovem do pampa, que são diferentes de outros jovens. Os biomas fazem parte de nossa identidade.
h.     ...

Integramos tudo isto com a nossa mística, que se tornou expressão de nossa identidade. Na PJR a mística é o entrelaçamento de três raízes, que formam a trança de nossa identidade, a saber: a Camponesa, a Cristã e a Luta Popular. É ela que alimenta o fazer história de nossa Identidade.


Para baixar o texto acesse: http://www.4shared.com/document/cCovFO2-/Identidade_da_PJR_vf.html

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Como a PJR se organiza

Grupo de Jovens ou Experiências Específicas

            O agrupamento de jovens rurais e seu engajamento nas comunidades é uma razão da existência da PJR no Brasil. Outra, que se junta a esta, é a articulação a partir de experiências concretas que reúnem jovens para, quer seja a produção e a comercialização de seus produtos agrícolas, quer seja para lutas agrárias comuns (exemplo: contra barragens, reforma agrária, assentamentos, cooperativas, etc.).
            A partir de seu engajamento em várias esferas da comunidade e em organizações não governamentais, o jovem rural se encontra em grupos específicos para refletir a sua ação, bem como as suas questões fundamentais. E o faz de uma forma avaliativa-celebrativa, renovando esperanças, vencendo angústias, marcando seu tempo e sua luta.
            A Equipe de Coordenação Micro Regional, quer sejam grupos ou experiências, tem papel fundamental na missão de apresentar a PJR como espaço próprio e específico para a Juventude Rural. Esta Equipe deve ser força representativa de todas as realidades rurais envolvidas na micro região em que se situa. Um destaque que aqui se pode fazer é quanto à participação na estrutura pastoral da Igreja Local (Paróquia e/ou Comunidades), o Jovem Rural deve estar aí com sua visão de mundo e sua mística própria da terra, contribuindo conjuntamente para o crescimento do Reino de Deus.
            É na Micro Região onde todo o processo representativo inicia. Portanto, a PJR, busca formar Equipes de Coordenações por Micro Região onde a representatividade das experiências, das lutas e dos grupos se juntam para a formação, a conscientização, o repasse de informações e a solidariedade das ações. Estas Equipes Micro Regionais devem por sua vez manter contato direto com a Secretaria Nacional e /ou representantes para articularem-se com todo o processo de caminhada da PJR.
            A nível estadual também busca-se formar uma coordenação de articulação e de representação. Esta Coordenação discute as linhas gerais, garante a aplicação dos Princípios Orientativos e se torna ligação entre os Jovens da Roça e a Coordenação Nacional. Portanto, é nesta Coordenação onde os gritos e as necessidades dos Jovens Rurais tomam corpo e são levados à instância nacional. Aqui também é espaço de formação e de celebração.
            A PJR se articula também, a nível regional e nacional, igualmente de forma representativa, na estrutura da Pastoral da Juventude do Brasil. Trazendo à esta estrutura organizativa suas lutas específicas e contribuindo com o processo de atuação junto a juventude brasileira.
            Outra forma organizativa, também de forma representativa, como entidade da roça, a PJR participa de atividades conjuntas com os movimentos mais autênticos de luta do campo. Exemplo dessa articulação e participação é o Congresso da Juventude Rural e, juntamente com outras entidades, na Via Campesina.
            Toda esta estrutura visa tornar a ação mais ágil e a partir das reais necessidades da Juventude Rural. Portanto, toda esta estrutura está em constante avaliação e assim garante-se a perspectiva e a liberdade do surgimento de outras formas organizativas desde que articuladas com estes Princípios Orientativos.
            A nível Nacional a PJR tem uma Coordenação que é formada por representantes escolhidos pelas Coordenações de cada Estado e cabe a esta Coordenação Nacional sistematizar a caminhada, qualificando o processo a partir dos grandes desafios atuais para a Juventude Rural. É tarefa da Coordenação Nacional definir as bandeiras de luta e encaminhar as deliberações da Assembléia Nacional, portanto, as grandes movimentações da caminhada são planejadas nesta instância considerando as linhas gerais da Pastoral da Juventude do Brasil e a metodologia própria da Juventude Rural. O avanço orgânico da caminhada e da atuação, bem como a sistematização deste processo, também são pontos de reflexão da Coordenação Nacional. Acrescenta-se ainda, a esta Coordenação, a responsabilidade de acompanhamento às Escolas Permanentes de Formação.
            Da Coordenação Nacional são escolhidos os membros para representarem a PJR na Coordenação Nacional da Pastoral da Juventude do Brasil.
            Merece destaque ainda dentro do funcionamento da PJR:
            COMISSÃO NACIONAL DE ASSESSORES
            O serviço de assessoria tem sido uma das prioridades que a PJR tem em seu trabalho. E o faz por compreender a importância deste acompanhamento junto a Juventude Rural. O papel da assessoria não é definir a caminhada, mas ser parceria no processo de organização e atuação, colocando-se ao lado dos anseios mais legítimos dos jovens para ajudar na reflexão e nas possibilidades de encaminhamentos. Neste sentido, procura-se dar atenção aos agentes que têm disposição para este serviço envolvendo-os progressivamente em todo o processo. Hoje a PJR já começa a colher frutos de assessorias a partir do processo interno de formação e militância.
            No nível Nacional os assessores se reúnem e formam a Equipe Nacional de Assessores, sendo que, três deles, de forma colegiada, acompanham a Coordenação Nacional da PJR e, um destes, representa a Equipe Nacional de Assessores da PJR junto a Comissão Nacional de Assessores da Pastoral da Juventude do Brasil.
            SECRETARIA NACIONAL
            A Secretaria Nacional funciona na perspectiva de cuidar da documentação e do registro da caminhada da PJR. Além de fazer os encaminhamentos previstos pela Coordenação Nacional. A PJR tem claro que a Secretaria Nacional deve ser espaço de referência e respaldo para a Juventude Rural, para isso, avalia constantemente os direcionamentos e os trabalhos realizados nesta instância.
            Também é tarefa da Secretaria Nacional promover a articulação da PJR com as demais pastorais, movimentos e serviços eclesiais, bem como os ligados ao movimento social.
            A Secretaria acompanha as atividades da Coordenação Nacional e está ao par de toda a caminhada, uma vez que ela é parte integrante desta Coordenação.
            A Secretaria cuidará também de manter disponível material de apoio e de formação para atender a pedidos e demandas.
            ASSEMBLÉIA NACIONAL
            A Assembléia Nacional acontece de três em três anos e é a instância máxima de reflexão e decisão da caminhada. É na Assembléia onde se define as linhas gerais de ação e onde se delibera sobre questões que incidam na caminhada da PJR. A Assembléia é também um espaço de formação e troca de experiências do processo e do projeto desenvolvido.
            SEMINÁRIO NACIONAL
            Este é um dos espaços mais privilegiados de formação dos militantes e assessores. O tema de estudo é definido pela Coordenação Nacional, a partir da caminhada, das necessidades de estudo e da análise da Equipe de Assessores.

            ESCOLAS PERMANENTES
            Surgidas como resposta à necessidade de formação sistemática, as Escolas Permanentes são coordenadas por uma Equipe escolhida pela Coordenação Nacional e formada por militantes e assessores. Sendo porém que a abertura de novas turmas e/ou Escolas são decididas na Coordenação Nacional. A grade curricular e a metodologia de trabalho e de estudo seguem uma programação comum adaptada porém à realidade de cada Região.
           
Esta estrutura quer ser resposta às intenções do conjunto da PJR a fim de que se proporcione um serviço maior e melhor à juventude Rural do Brasil. Neste sentido, é sempre necessário avaliação constante da caminhada e da própria forma como as instâncias internas encaminham e executam as atividades.