A Mãe terra grita por Agroecologia, Da Mãe Terra Esperança e resistência.
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

PJR promove Vigília Nacional da Juventude Camponesa


Carta do Secretário Nacional da PJR
Laecio Vieira

"Estamos nos aproximando de um momento muito especial para nós juventude da PJR. Estamos no período da quaresma e entrando no mês de março, pensando neste período de celebração da pjr e reflexão pascal que propomos que todos os estados em seus grupos tenham o dia 13, como o dia de realizarmos a nossa vigília em memória da juventude camponesa. E também o dia em que brotou no solo sagrado da mãe terra a pastoral da juventude rural no Brasil 
É com muito carinho que chego até vocês através desta mensagem,   para animar a todos e todas para se organizarem em preparação  do dia 13 de março. Esperamos que com os roteiros e subsídios que se encontram aqui na página da PJR possa servir de apoio para todos nas bases pensarem como poderá ser feito este momento de mistica e comunhão com toda a juventude rural desse brasil.

VAMOS CELEBRAR NOSSA VIDA  CAMPONESA  E NOSSA FÉ."
  
OBS:  AO REALIZAREM ESTA ATIVIDADE, ENVIAR FOTOS PARA OS RESPONSÁVEIS PELA PÁGINA DA PJR: macielcover@gmail.com E jefersonpjr@gmail.com




Vigilia da Pastoral da Juventude Rural

Tema: Vamos celebrar a nossa caminhada
Lema: A Mãe Terra grita por agroecologia!


Anexos para realização da Vigília

Pasta com os arquivos

Roteiro
Identidade
Características da Identidade
Bandeira da PJR




PJR - Tocantins realizará Seminario Microrregional da PJR


CARTA-CONVITE


Olá, companheiros que a paz do Cristo ressuscitado esteja com vocês!

  Estamos nos preparando para o I – Seminário Microrregional da PJR – Pastoral da Juventude Rural na EFA – Escola Família Agrícola de Porto Nacional – TO, e para um bom Seminário temos que nos organizarmos e contamos com a cooperação de todos. A data já foi definida, será entre os dias 14 a 16 de março de 2012, na cede da EFA em Porto Nacional, localizada a margem direita da Rodovia TO – 255, Km – 03, sentido Porto/Monte do Carmo.
 Gostaríamos também que todos (as) levem sementes, fotos, bíblias, símbolos, brincadeiras, dinâmicas, cânticos de suas preferências, instrumentos musicais para que o nosso seminário seja realmente muito animado. A noite cultural será de responsabilidade de todos nós prepará-las, vão pensando em como será e nas apresentações o que irão fazer. E venham munidos de muita animação!
                 E ainda todos deverão chegar no dia 14/03 (quarta-feira) na cidade de Porto Nacional até as 15:00 horas (três horas da tarde) e assim que chegar, ligar nos telefones abaixo, o ônibus sairá da rodoviária esse horário, não se atrasem.


Lembretes:
*      Os participantes próximo de Porto Nacional devem trazer rede, corda, colchão ou colchonetes e todos os participantes trazerem objetos de higiene pessoal (toalha, sabonete, pasta de dente e etc.) 
*      Também não esquecer de trazer os comprovantes de passagens para serem reembolsados.     



PROGRAMAÇÃO  DO I SEMINÁRIO
 EFA – Porto Nacional

Tema: Juventude, Desafios e Perspectivas de futuro
Dia 29/02: Quarta – Feira

Horários/ Ações.
10:00 ás 15:00 – Chegada a Escola
11:45 Almoço
14:00 - Espaço de entrosamento do grupo
15:00 – Lanche
16:00 – breve apresentação do grupo
16:30- Lazer – Pratica de Esporte
18:00 - Banho
18:40 - Jantar
20:30 - Filme (Batismo de Sangue)
22:30 - D canso – Silêncio Total
Coordenadores do Dia: Jairo (Micro da APA – Cantão) e Patrícia (Micro Porto)

Dia 01/03: Quinta - Feira 
06:00 Limpeza do Prédio Escolar
07:00 Mística de Abertura do Dia
07:30 Café da Manhã
08:00 - Abertura Oficial do Seminário
(Diretoria EFA; Estudantes; PJR; CESE; CPT; PJMP; UFT; APNs; AEFA; CDH; C.A-GEO; D.A – UFT)
08:30  Construção de uma Analise de Conjuntura,
09:30 Intervalo para o Lanche
09:00 GTs – Trabalhos em Grupo
11:45 Almoço e Organização do Prédio
14:00 Os 10 Anos da PJR – Pastoral da Juventude Rural no Tocantins.
15:30 Lanche
16:00 Dinâmica de Entrosamento
(Musicas de Caminhada)
16:15 Plenária – Rodada de discussões
17:45 Lazer – Pratica de Esporte e Organização da Noite Cultural
18:30 Banho
19:00 Jantar
20:00 Noite Cultural – Saberes que Encanta; Identidade e Cultura Juvenil.
22:30 Período de Descanso
23:00 Silêncio Total
Coordenadores do Dia: Fabrício (Micro de Colinas) e Ilsanir (Micro do Bico do Papagaio)

DIA 02/03: Sexta – Feira
06:00 Organização do Prédio
07:00 Mística de Abertura
07:30 Café da Manhã
08:00 Oficinas – Conclusão de Curso/ Educação do Campo
10:00 Plenária – Avaliação do Seminário
10:40 Mística de Envio
11:30 Almoço
12:00 Saída para as Comunidades
Coordenadoras do Dia: Berenice (Micro de Riachinho) e Viviane (Micro de Colinas)Henrique Barbosa
Coordenador do Projeto






Um grande abraço! 




Quaisquer dúvidas nos liguem, nestes telefones abaixo:
Viviania: 9207-8051; Silvano: 9213-7327; Secretaria Estadual da PJR: 3476-2921.
Henrique: 8482-2561 ou 3213-2641 (Recado)


Não é preciso ser filho de doutor...
Jovem da roça também tem Valor.....





quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

MDA apresenta alternativas viáveis à cultura do fumo em evento internacional


Fonte: Boletim de Noticias do MDA nº 43


A gradual implantação de alternativas viáveis à produção de fumo – por conta de todos os fatores de risco à saúde humana, tanto na atividade agrícola da fumicultura, quanto no consumo dos produtos provenientes dela – é a tônica do terceiro encontro do Grupo de Trabalho (GT) internacional que debate a diversificação produtiva em áreas com tabaco no mundo. O Brasil, representado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), será protagonista nas discussões do evento, que ocorre de 14 a 16 de fevereiro, em Genebra, na Suíça.
Desde 2007, o GT discute a implementação dos artigos 17 e 18 da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (CQCT/OMS), que são: o “apoio a atividades alternativas economicamente viáveis” à cultura do fumo (artigo 17) e “proteção do meio ambiente e saúde das pessoas” na cultura do fumo (artigo 18).
Atualmente o GT internacional é formado por 30 países, dos quais 21 confirmaram presença no evento em Genebra. O grupo dará continuidade à elaboração de relatório de trabalho que será apresentado na 5ª Conferência das Partes (COP5), em novembro de 2012, em Seul, na Coreia do Sul. No documento, estarão recomendações e propostas dos princípios e políticas para a implantação de atividades sustentáveis alternativas à produção de fumo.
“É uma oportunidade para o Brasil mostrar seu protagonismo na implementação dos artigos 17 e 18 numa base sustentável, seguindo princípios que dialogam com a segurança alimentar, a qualidade de vida das famílias, a proteção do meio ambiente, a conservação dos recursos naturais e a diversificação dos sistemas produtivos”, afirma a coordenadora do Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco, coordenado pela Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) do MDA, Adriana Gregolin.
O país vai mostrar o trabalho que vem realizando, com a apresentação dos resultados dos 65 projetos do programa de diversificação do MDA e da experiência brasileira com a Chamada Pública de Ater para a diversificação, que atende 10 mil famílias produtoras de tabaco.
Além de resultados dos projetos, será apresentada uma metodologia para estudos comparativos em área de fumicultura. O professor Sérgio Schneider, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), doutor em desenvolvimento rural e colaborador acadêmico do MDA no tema, vai mostrar um estudo de caso com 38 famílias produtoras de tabaco, do município de Arroio do Tigre (RS), em que foram aplicados Índices de Condições de Vida (ICV).
“A partir desse índice, é possível identificar a realidade das famílias e projetar políticas públicas para apoiar a diversificação da produção”, explica Adriana Gregolin. Adriana destaca a participação do Brasil como um dos países facilitadores do GT, por estar presente em todas as discussões, ao lado do México, da Turquia e da Índia, desde junho de 2008. 
Diversificação no Brasil
Em 2005, o governo federal lançou o Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco, sob coordenação do MDA, com o objetivo de buscar alternativas produtivas e geradoras de renda na fumicultura, com foco na qualidade de vida e na sustentabilidade econômica, social, ambiental e cultural entre as famílias agricultoras. No mesmo ano, o Brasil ratificou sua participação na Convenção-Quadro para Controle do Tabaco da Organização Mundial de Saúde (CQCT/OMS), comprometendo-se a implementar medidas para diminuir o tabagismo e apoiar os agricultores produtores de tabaco na diversificação produtiva.
O MDA integra a Comissão Interministerial para a Implementação da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq), que reúne 18 ministérios em debates e encaminhamentos para a implementação de ações associadas aos diferentes artigos estabelecidos na Convenção-Quadro.
O Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco, do MDA, tem 65 projetos de pesquisa, capacitação e assistência técnica e extensão rural no Brasil, em apoio à diversificação em andamento para apoiar 80 mil agricultores familiares.
Um projeto piloto de pesquisa e desenvolvimento é implementado no município de Dom Feliciano (RS) desde 2010, onde 86,5% do PIB agrícola é proveniente do tabaco. O município está entre um dos dez maiores produtores de fumo do Brasil.
A região Sul é responsável por 95% da produção de fumo do país. Existem 733 municípios produtores nos estados do Sul. Cerca de 200 mil agricultores familiares estão envolvidos na atividade. O Brasil produz em média 850 mil toneladas de fumo por ano, 85% são exportados. Aproximadamente 30% das famílias produtoras de tabaco estão em situação de pobreza, com vulnerabilidade econômica e social.

Assessoria de Comunicação Social Incra
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Assinada a lei que cria o Conselho Municipal de Juventude de Campina Grande.

Aconteceu na manhã desta quarta feira (8), no IPSEM em Campina Grande, a assinatura da lei que cria o Conselho Municipal de Juventude. Estiveram presentes no ato autoridades municipais e representantes de entidades juvenis. Em seu discurso o prefeito Veneziano do Rego destacou a importância deste conselho para o município e reconheceu o trabalho das entidades juvenis que a tempo tem pautado esta luta.

Lideranças juvenis comemoram a criação do Conselho Municipal de Juventude.

Lideranças das Pastorais da Juventude avaliam como positivo a criação do Conselho.

“A criação do Conselho Municipal de Juventude é resultado de todo um processo de articulação desde 2008, que as Pastorais da Juventude, desde o início estiveram motivando a criação do comitê pró-conselho, e posteriormente ajudando na organização das Conferências Municipais da Juventude”, afirmou Carlinhos Marinho, militante da Pastoral da Juventude, e um dos motivadores da criação do conselho.

A autonomia da juventude e a campanha #ConselhoDeJuventudeJáCG realizada via redes sociais também foi comentada por Carlinhos “É um passo importante pra juventude ter seu espaço de autonomia e não ser lembrada apenas em palanques políticos. A assinatura desta lei foi também estimulada pelas manifestações campanhas que promovemos pelas redes sociais, e pela mobilização das Pastorais da Juventude, Movimento LGBT, CUFFA, CENTRAC, REJU e outras inúmeras entidades juvenis do município”.

“Agora precisamos continuar mobilizando a juventude para participar do Conselho e conquistar mais políticas para o segmento no município. Direitos se conquista com mobilização” afirmou Maciel Cover, da Pastoral da Juventude Rural.

“Essa vitória aqui em Campina servirá para estimularmos os demais grupos das Pastorais da Juventude do Brasil a se mobilizarem para criação de conselhos municipais, por que botamos fé na organização juvenil” falou o Renato Moiteiro, da Pastoral da Juventude Estudantil.

Autoridades municipais reconhecendo a mobilização juvenil.

“Campina Grande é apenas a sétima cidade paraibana a ter uma lei que instituiu o conselho de juventude, temos muito pra avançar nesta luta com a juventude” afirmou Hélio Barbosa da Pastoral da Juventude do Meio Popular.

Diocese de Campina Grande recebe com muita alegria os símbolos da Jornada Mundial da Juventude.


Peregrinação da Cruz e do Ícone de Nossa Senhora pelas ruas da cidade reuniu mais de 10 mil jovens.
PJR em sintonia com a Jornada Mundial da Juventude.

Durante os dias 5, 6 e 7 de fevereiro de 2012,  os Símbolos da Jornada Mundial da Juventude estiveram em peregrinação pela Diocese de Campina Grande. No domingo (5), por volta das 15 horas, os Símbolos foram acolhidos na Fazenda do Sol, uma Instituição que cuida da recuperação de jovens viciados em drogas.

Por volta das 18 horas, a Cruz e o Ícone de Nossa Senhora foram recebidos na Avenida Brasília, percorrendo em procissão até as mediações do Instituto São Vicente de Paulo, (contornando o Açude Velho) onde aconteceu a Santa Missa concelebrada pelos Bispos Dom Jaime, futuro Arcebispo de Natal RN e Dom Dino, Bispo de Caruaru/PE e Bispo Referencial da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB. Posteriormente a missa iniciou-se a primeira noite da Vigília.

Jovens das Pastorais da Juventude carregando a Cruz.

Cerca de 10 mil pessoas estiveram presentes durante a procissão, que foi animada por grupos musicais católicos num potente trio elétrico, contagiando a multidão que pulava e cantava refrões como “no peito levo uma Cruz, no meu coração o que disse Jesus”. Jovens de diferentes organizações católicas compartilharam a tarefa de carregar a Cruz e os símbolos de Nossa Senhora.

As Pastorais da Juventude carregaram os símbolos por diferentes momentos. “Como nem todos os jovens rurais da diocese puderam vir para Campina Grande, devido à distância, levamos uma bandeira da PJR com a assinatura de diversos jovens, e colocamos esta bandeira na hora que tivemos a oportunidade de carregar a Cruz, para que os jovens do campo também se sentirem abençoados nesta peregrinação”, afirmou Jeferson Barreto, que participa da Pastoral da Juventude Rural.


Durante a madrugada, vários jovens estiveram presentes nos momentos de Vigília, que foi coordenada pelas diferentes expressões juvenis católicas da diocese. A primeira hora foi coordenada pelos jovens das Pastorais da Juventude que enfatizaram o sentido das cruzes que os jovens carregam em suas diferentes realidades: da violência dos grandes centros urbanos, dos trabalhos escravos no meio rural, das faltas de condições dignas de educação, da falta de projetos para a juventude.

Empolgação e fé da juventude na peregrinação da Cruz.

Na segunda feira (6) os símbolos percorreram por diversos pontos da cidade, como o Presídio do Serrotão, Hospitais e na Delegacia da Mulher. A noite houve mais uma vigília, desta vez na Catedral Diocesana, coordenada pelas paróquias da cidade. Na terça-feira, (7) os símbolos da Jornada Mundial da Juventude seguiram para a Diocese vizinha de Patos.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

“Fechamento de escolas é atentado às comunidades rurais”

Salomao Hage (UFPA) , analisou o  resultado de pesquisa que revelou 37.776 escolas rurais fechadas em dez anos



Por Mayrá Lima
Da Página do MST


Dados do censo escolar do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), do Ministério da Educação (MEC), registram que 37.776 estabelecimentos de ensino rurais foram fechados nos últimos 10 anos em todo o país.
Para o professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) Salomão Hage, a garantia constitucional do direito à educação foi substituída pela lógica da relação custo-benefício pelo poder público.
“As políticas públicas educacionais, há certo tempo, são orientadas pela relação custo-benefício, na perspectiva neoliberal. Os gestores públicos hoje são desafiados a apresentar cada vez mais resultados com cada vez menos financiamento”, afirma.
Hage acredita que essa é uma mágica difícil de materializar. “Como você pode atender mais, oferecer melhor qualidade, contemplar a diversidade em um país em histórica situação de negação de direito se o orçamento e investimento cada vez diminuem mais?”, questiona.
Para ele, a associação de desenvolvimento ao meio urbano é usada pela justificar o fechamento das escolas no meio rural. “O próprio poder público olha para esse processo de territorialização das populações do campo e rotula de disperso. Se está disperso, no sentido de estarem distribuídas ao longo do território, e se pode reuni-las, gastará menos de acordo com suas referências de qualidade. Assim começa o desenvolvimento das políticas de nucleação que, às vezes, não são de nucleação, mas de polarização”, critica.
Essa política desrespeita o Estatuto de Criança e dos Adolescentes (ECA), que indica que os educandos devem ser atendidos nas suas próprias comunidades. “As diretrizes operacionais para a educação básica no campo, as diretrizes complementares para as escolas do campo fortalecem essa ideia da necessidade da escola atender as crianças e os adolescentes, prioritariamente, na sua comunidade”, sustenta.
Leia entrevista à Página do MST com Salomão Hage, que coordena o grupo que estuda educação no campo na Amazônia e integra a coordenação do Fórum Paraense de Educação no Campo.
Como você avalia o fechamento de escolas por estados e municípios?
As políticas públicas educacionais, há certo tempo, vêm sendo orientada pela relação custo-benefício, por conta da perspectiva neoliberal. Os gestores públicos hoje são desafiados a apresentar cada vez mais resultados com cada vez menos financiamento. Isto é uma mágica difícil de materializar. Como você pode atender mais, oferecer melhor qualidade, contemplar a diversidade em um país em histórica situação de negação de direito se o orçamento e investimento cada vez diminuem mais? O resultado tem sido a aplicação de políticas educacionais que caminham no contraponto das demandas que os movimentos sociais do campo e da cidade, dos educadores, das universidades colocam como referência para a educação.
Como essa relação custo-benefício afeta as escolas do meio rural?
O Estatuto de Criança e dos Adolescentes indica que as crianças devem ser atendidas nas suas próprias comunidades. As diretrizes operacionais para a educação básica no campo, as diretrizes complementares para as escolas do campo fortalecem essa ideia da  necessidade da escola atender as crianças e os adolescentes, prioritariamente, na sua comunidade.  Isso significa o acesso pela comunidade aos conhecimentos historicamente produzidos e, em grande parte, as escolas são o único equipamento público existente. Por isso,  representam a presença do Estado naquela localidade. Onde a escola está presente, há uma movimentação da infância, da adolescência. A escola é espaço de reunião, de atividades culturais da comunidade, de discussão coletiva.
Qual o impacto da falta de escolas para crianças do meio rural, que vão estudar nas cidades?
As comunidades rurais em geral, estão distribuídas territorialmente de acordo com as demandas e as necessidades que as populações têm de sobrevivência, de trabalho, de relação que se estabelece com a terra, com a água, elas estão presentes há séculos. Há um processo de desenvolvimento sustentável a partir do processo de territorialização desenvolvimento destas localidades. Na medida em que o gestor é demandado para o atendimento - e não é um atendimento qualquer -  gestão publica cria alternativas pautadas por essa questão de custo benefício, que vai em sentido contrário às demandas e necessidades do processo de territorialização desenvolvido. 


O princípio também é inspirado por uma perspectiva 'urbanocêntrica'. Esse “desenvolvimento” é pautado na perspectiva do campo para a cidade, causando um processo de expulsão do campo na ideia de que, se eu concentro as pessoas posso atender mais, utilizando menos recursos. Uma coisa é atender 300 escolas distribuídas por todo o campo brasileiro, outra coisa é atender 20 escolas com as pessoas concentradas onde você não teria gastos com transporte, deslocamento e um conjunto de outras demandas para atender.
Como o Estado age nessa situação?
O próprio poder público olha para esse processo de territorialização das populações do campo e rotula de disperso. Se está disperso, no sentido de estarem distribuídas ao longo do território, e se pode reuní-las, gastará menos de acordo com suas referências de qualidade. Assim começa o desenvolvimento das políticas de nucleação que, às vezes, não é de nucleação, mas de polarização. Quando se aumenta o transporte escolar, você fecha escolas em comunidades mais distantes e reúne em comunidades rurais maiores ou traz para a sede do município. 
É essa perspectiva quantitativa da relação custo-benefício, a partir da perspectiva urbanocêntrica, que é aplicada pela gestão pública. Há ainda uma aceitação da sociedade, porque conseguem demonstrar que, por meio da oferta do transporte escolar, atendem toda a demanda e em todos os níveis. Isso acontece porque há uma  compreensão de que a cidade é o lugar do desenvolvimento, que consolida como natural esse movimento das pessoas se deslocarem do campo para a cidade.
O fechamento das escolas do campo pelo poder público segue esses princípios?
O fechamento das escolas é um atentado às comunidades rurais com o discurso de melhoria, ampliação e aumento da escolaridade. Só que não há lugar para todo mundo viver na cidade, no lado urbano. A população que vive nas cidades não vive essas promessas do desenvolvimento que a perspectiva urbanocêntrica apresenta. Quem vive bem na cidade? Quem vive no centro e quem tem um emprego significativo? A grande maioria vive muito mal na cidade, vive pior que as pessoas que vivem no campo. 


Nos últimos anos, foram fechadas mais de 30 mil escolas. Se a gente não abrir o olho. esse número amplia. Essa é uma luta que precisa unir todos os setores. Estamos na luta pelo Plano Nacional de Educação. O que nos une são as referências de qualidade da educação, a necessidade de um financiamento suficiente, a valorização e a formação dos profissionais de educação. Há uma luta pelos 10% do Produto |Interno Bruto para a educação cobra uma condição para desenvolver as escolas do campo e da cidade. 

No entanto, há demandas especificas do campo: apenas 30% das crianças são atendidas em nível de educação infantil no campo, segundo números do MEC. Com a emenda constitucional 59, consequimos que até 2016 o ensino será obrigatório dos quatro aos 17 anos. Como vamos atender as crianças menores, cujas mães trabalham no campo? Se a lógica é investir em transporte e deslocamento, como vamos fazer com as crianças de zero a 5 anos?
O discurso de que estão dispersas é uma forma pejorativa de tratar a territorialização das populações do campo, que se organizam de acordo com suas necessidades e com as relações que estabelecem com a floresta, com a terra, com a água. Não se pode simplesmente olhar para isso e dizer que é disperso.
Qual a sua avaliação das políticas públicas para a educação do campo, em nível nacional, nos últimos 10 anos?
Desde o final da década de 90, mais especificamente com a realização das conferências nacionais de educação do campo, com a criação e o fortalecimento de uma articulação nacional, que combina a participação dos movimentos sociais, universidades e setores do poder público voltadas para a questão da agricultura familiar e da Reforma Agrária, a gente tem dado passos significativos no sentido de pensar o campo brasileiro a partir da sua diversidade, demandas e necessidades, dentro da disputa política por outro projeto de sociedade.
O que avançou nesse processo?
O fortalecimento desse movimento foi capaz de fazer com que o MEC pudesse criar dentro da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade e Inclusão (Secadi)  uma coordenação de educação no campo.
A partir dela, foram criados alguns programas - como o Projovem Campo, o Saberes da Terra, o Procampo licenciatura plena e mesmo o Escola Ativa (que não teve uma discussão mais sistemática com o conjunto dos movimentos) - que começaram a provocar um certo movimento dentro da formação do educador, no âmbito da formação da prática educativa em todos os níveis de faixa etária. 
Além desses, teve avanços no Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), que foi criado da discussão entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Incra.
Há um protagonismo desse movimento que se desenvolveu de modo a mostrar que os sujeitos do campo também são sujeitos de direito e as políticas publicas precisam atender as suas necessidades.
Vivemos um momento de fortalecimento dessa consciência da necessidade do atendimento e da necessidade de demarcar as especificidades dos sujeitos do campo. Com isso, consolida-se a ideia de que o campo tem como contribuir com esse projeto de desenvolvimento. E que sem o campo o desenvolvimento pode não resultar em uma proposta significativa.
Qual a reação à maior participação dos movimentos sociais?
Esse processo de protagonismo tem despertado um desconforto daqueles que tem um projeto diferenciado para o campo e para a sociedade brasileira. Enquanto os movimentos fortalecem os modos de produção familiar no campo e as lutas camponesas pela Reforma Agrária, o agronegócio também está em franca expansão com um significativo financiamento, que entra em contradição com esse avanço que o movimento social vem desenvolvendo.
Insatisfação essa que, historicamente, foi construída na representação social que os povos do campo seriam atrasados e a agricultura familiar um projeto de fome, que não tem como contribuir para o desenvolvimento.
Ao mesmo tempo, o projeto do modo de produção familiar se apresenta como uma alternativa viável para o desenvolvimento com base na sustentabilidade, na economia solidária e nos princípios de educação crítica e transformadora. Essas disputas de hegemonias começam a fluir e os ataques vêm da mídia, das grandes corporações e, essencialmente, de instituições que, embora públicas, são direcionadas pela perspectiva privatista, patrimonialista.
Quanto mais avança, maior a reação desses setores?
É isso que a gente tem vivido de forma mais intensa nos governos Lula e Dilma.  No governo Lula, conseguimos avançar mais no diálogo entre os movimentos sociais, as universidades e o setor público, no sentido de apresentar editais, os programas, de formular legislações que pudessem reconhecer esse outro projeto, essa outra intencionalidade.
Projetos promovidos durante o governo Lula foram se ampliando, até que, com as reações, começaram a sofrer e ter a continuidade comprometida. Embora Pronera estivesse assegurado com o decreto, virou política pública.
Outros programas, com o próprio Procampo, estão ameaçados de serem substituídos pelo Pronacampo. Esse novo programa está sendo construído sem o diálogo com os movimentos sociais e com as universidades.
E no que a educação contribui para essa disputa de modelo de sociedade?
A educação conseguiu estimular a relação de movimentos sociais, universidades, setores do poder público mais alinhados com esse outro projeto de sociedade e de educação, na relação direta entre educação e trabalho, educação e desenvolvimento, na formulação de outro projeto de sociedade.
Na medida em que isso se consolida e se apresenta como uma proposta viável, que atende às necessidades da maioria, os blocos hegemônicos - que se orientam por outra perspectiva, por uma sociedade excludente, elitista e discriminatória - reagem em todos os sentidos para deslegitimar esse projeto.
Esses resultados são suficientes?
Essa situação de negação de direitos, não só para o campo, mas também para a população que mora nas periferias das grandes cidades, para as classes populares da sociedade brasileira é histórico. Tem pelo menos cinco séculos de existência. Não seriam 10, 12 ou 20 anos de protagonismo e tentativa de redimensionar o atendimento educacional que seriam suficientes para superar os níveis de pobreza da sociedade, que em sua grande maioria está no campo.
A precarização do campo data desde o inicio do Brasil enquanto Nação, mas esse  protagonismo tem se fortalecido com essa nova articulação. Mas há reação com a criminalização dos movimentos sociais, que são acusados de receber dinheiro dos órgãos públicos para fortalecer suas organizações.
E no que essa falta de diálogo e participação dos movimentos sociais na construção de novas políticas para a educação pode significar?
A falta de dialogo pode significar a não continuidade dos programas desenvolvidos como resultado dessa articulação entre os movimentos sociais e o poder público. Poderá significar um afastamento maior do MEC, da Secadi e da própria coordenação de educação no campo. Na medida em que se constrói novos programas e novas diretrizes sem a interlocução com os movimentos sociais e as universidades, esse afastamento tende a se fortalecer. Pode se configurar num programa que não atenda às necessidades e demandas.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Descaso: no campo, mais de 37 mil escolas fechadas


Notícia publicada no Jornal O Globo/RJ, de 31.10.2011 demonstra o descaso com as escolas do campo no Brasil.

Problemas de acesso, infraestrutura e formação de professores afetam área rural, onde analfabetismo chega a 23%

Karine Rodrigues
Letícia Lins

ESCADA (PE) e RIO. "Vai reformar?"; "Quando é que as aulas começam?"; "Vai ter 6ª série?", pergunta, quase sem pausa, Heronildo José de Araújo, 11 anos, confundindo a equipe de reportagem com autoridades da prefeitura de Escada, município a 62 quilômetros da capital pernambucana. Ele vive em uma casa no Engenho Canto Escuro, em frente à Escola Municipal Tiradentes, um dos 37.776 estabelecimentos de ensino rurais do país que fecharam as portas nos últimos dez anos, segundo dados do Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC).

- Não gosto de viajar todos os dias para tão longe - reclama o menino, que sente enjoo no sacolejo do ônibus escolar e tem dois irmãos que também estudam muito distante de casa.

O número de escolas fechadas impressiona, mas está longe de ser o único dado que chama atenção na educação do campo, onde existem cerca de 80 mil estabelecimentos de ensino. Entre a população de 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo na zona rural chega a 23,3%, três vezes maior do que em áreas urbanas, e a escolaridade média é de 4,5 anos, contra 7,8 anos, mostra estudo de 2009 da socióloga Mônica Molina e mais dois especialistas para o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República.

- A ausência do Estado na garantia do direito à educação se traduz na precariedade da oferta. As alterações ocorridas nos últimos dez anos foram pequenas. Os professores são mal formados, não há infraestrutura e nem material pedagógico - avalia Mônica, professora da Universidade de Brasília (UnB).

Segundo ela, o fechamento das escolas, em geral, resulta de expansão do agronegócio e da nucleação - quando escolas de menor porte são extintas e os alunos, transferidos para unidades mais distantes e maiores. Mônica observa ainda que as diretrizes do setor dizem que a nucleação deve ser feita após os cinco anos iniciais do ensino fundamental e, preferencialmente, em escolas situadas também no campo, e não na área urbana.

Na opinião de Mônica, as políticas públicas para o campo precisam não só vincular o desenvolvimento à educação, mas garantir outros direitos:

- Ter acesso à terra é a primeira condição para o cidadão permanecer onde está e levar os filhos para a escola. O que está causando o fechamento das escolas não é só a nucleação. As áreas rurais estão sendo engolidas pela concentração fundiária. E os pais enfrentam de tudo para as crianças estudarem.

Que o diga José dos Santos, que foi morar na periferia de Escada para garantir o estudo dos filhos. Com o fechamento da Tiradentes, este ano, os dois filhos ficaram quatro meses sem aula.

- A escola era pequena, mas servia à comunidade. Tinha 14 alunos. Era pobre, não tinha luxo, mas fechar é muita perda - lamenta a mulher de José, Edna, que, assim como o marido, estudou somente até a 4ª série e deseja bem mais para os filhos.

Com pós-doutorado em Educação, Eliane Dayse Furtado, da Universidade Federal do Ceará (UFC), também considera que a nucleação está por trás de boa parte do fechamento das escolas. Foi o que constatou ao percorrer 14 estados das cinco regiões do país em projetos de formação de educadores rurais. Na ocasião, também ouviu reclamações sobre precariedade do transporte escolar.

- Outro dia, em Redenção (CE), as crianças ficaram três semanas sem aula porque o único ônibus quebrou. E, quando chove, ele não passa - conta ela.

Professora da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Sonia de Jesus observa que, apesar dos problemas que comprometem a qualidade na educação do campo, quem mora na área rural quer frequentar a escola:

- Tem estabelecimentos sem banheiro, com paredes rachadas, sem material pedagógico. Mas, ainda assim, a população quer estudar. E há professores que, apesar dos problemas, fazem de tudo para dar aula.

Ednalva Cavalcanti, que hoje ensina 12 alunos, é assim, mas está desanimada, pois acha que a Escola Santa Rita, em Escada, está marcada para morrer: das três salas, duas estão fechadas.

- É triste ver o pessoal indo embora para dar lugar à cana - diz, informando que, em média, os alunos passam apenas três horas na escola, considerada uma das mais conservadas da área rural do município, pois tem alpendre, luz e água.

Entre 2007 e 2011, seis escolas municipais cerraram as portas em Escada, diz a secretária de Educação do município, Elizabeth Cavalcanti, explicando que a Tiradentes fechou por falta de alunos no Canto Escuro, onde O GLOBO computou, pelo menos, 20 moradias próximas:

- No engenho, só há quase adultos e adolescentes.

As três pesquisadoras ressaltam que a educação no campo é melhor nos assentamentos, por pressão e organização de movimentos sociais, como MST, que, recentemente, lançou a campanha "Fechar escola é crime".

O MEC informa que municípios, estados e DF recebem apoio técnico e financeiro por meio de várias ações e programas para educação do campo, onde estão quase 50% das escolas da educação básica do país, e diz que está elaborando um programa para implementar a Política de Educação do Campo. Destaca ainda que orienta para que a nucleação ocorra "quando realmente necessária", e dentro das diretrizes da área.