A Mãe terra grita por Agroecologia, Da Mãe Terra Esperança e resistência.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

JUVENTUDE DO CAMPO e o CAPITALISMO.

 Texto de Paulo Mansan, PJR do Espirito Santo, retirado de sua qualificação 
do mestrado sobre juventude camponesa

Na análise da Via Campesina, 
" nos últimos anos está aumentando o número de sem terra no campo.
 Ocorreram processos de reformas agrárias em vários países do mundo, 
apesar de cada país viver momentos históricos diferentes e haver diferentes 
graus de organização dos camponeses. O que gera algo comum é o fato de que 
em todas elas, houve um processo de democratização da terra,
 e de diminuição da pobreza e das desigualdades sociais nos 
meio rural.” ( VIA CAMPESINA, 2004,  p. 10).

           Porém, nos países em desenvolvimento não podemos dizer que houve grandes processos de reforma agrária, ainda quando nestes países vive a maior parte dos camponeses do mundo. Isso ocorreu por dois fatores: a existência de um modelo capitalista dependente, colonial, que articulou a grande propriedade com a exportação de produtos primários como grãos, carne e matérias-primas necessárias à indústria;  o poder político nas mãos dos grandes proprietários - oligarquias rurais - articulados com as burguesias nacionais e estrangeiras. Nestes países de terceiro mundo que não fizeram a reforma agrária persistem os mais variados problemas sociais como a pobreza e a miséria, a concentração de terra, riqueza e renda tanto no campo quanto na cidade.  Mazelas estas agravadas nos últimos anos devido a opção dos governos pelas políticas econômicas neoliberais: 
   “ essas políticas subordinaram as economias agrícolas locais aos interesses do grande capital internacional, abriram os mercados às empresas multinacionais, elevaram as taxas de juros, desmantelaram o setor público agrícola que é fundamental para o meio rural, como a pesquisa agropecuária, assistência técnica, e as políticas de preços, de crédito e de seguro. Isso provocou um aumento de camponeses sem-terra e um desespero dos pequenos e médios proprietários, que já não encontram mais na agricultura uma alternativa econômica viável para o progresso econômico e social de suas famílias e de suas comunidades.” ( VIA CAMPESINA, 2004, p. 11). 
          Aliado a este fator neoliberal está o processo de aceleração da destruição da pequena propriedade provocando um aumento do êxodo rural, especialmente da Juventude. O jovem que antes tinha a segurança de permanecer na pequena propriedade dos pais, trabalhar na sua própria terra com o sentido da produção familiar e da pertença ao território e à comunidade, agora está subordinado a um processo de expulsão do campo, de sua terra, suas raízes.O capitalismo ainda trabalha com um mecanismo cultural, constrói que o campo é atrasado e retrógrado, e junto com isso soma uma infinidade “de faltas” que existe no campo.  No I seminário da Juventude  da Via Campesina Brasil,  em São Paulo Escola Nacional Florestan Fernandes, novembro de 2006, 60 jovens dirigentes de 22 estados Brasileiros tiraram bandeiras centrais para a permanência, fixação e reprodução do jovem camponês. O objetivo do seminário era: ”O presente Seminário surge da percepção da Via Campesina diante da desarticulação da juventude camponesa. Inicialmente, a Igreja e os Partidos Políticos se apropriaram das demandas da juventude. Em seguida, o mercado e a direita também passaram a disputar esse segmento da sociedade. Dentre as questões que permeiam a temática da juventude organizada se encontram: educação, trabalho e renda, ausência de políticas públicas, arte, cultura e violência. Desse modo, a perspectiva deste Seminário é discutir métodos de aglutinação da juventude camponesa e urbana. E os temas que as unificam. (ENFF, São Paulo, 2006, p.01)  
   As oito principais bandeiras  que saíram do encontro com a perspectiva de unificar as necessidades da Juventude das organizações camponesas, foram:
1- Reforma Agrária, a necessidade de o país pensar uma política de terras para a juventude camponesa;
2 - Educação do Campo, na área da alfabetização de acordo com dados do próprio governo, existem hoje 3 milhões de jovens analfabetos no país, destes a maioria é do interior da região nordeste. É fundamental apontar perspectivas para a inserção da juventude no Ensino Básico e Superior;
 3 - Trabalho como geração de renda. Crédito, assistência técnica, cooperativas de crédito, agroindústrias, capacitação técnica para os jovens camponeses;
 4 - Organização coletiva da produção, como forma de esperança e crença no campo; produzindo de forma agroecológica. O princípio é o do cuidado com o movimento, com a terra e com a vida;
5 - Cultura, faz-se necessário multiplicar o acesso e a produção de bens culturais: cinema da terra, teatro, tele centros do campo;
 6 - Esporte e lazer para o jovem não ter que procurar fora ;
 7 – Formação política, humana e técnica para os jovens camponeses, além de garantir infra-estrutura do campo: estradas, luz, comunicação, acesso a informação, transporte, água, saneamento para fazer do campo um lugar bom de viver.Assim, percebemos que pelas necessidades que os Jovens camponeses têm de ter uma vida no campo, compatível com o principio de dignidade e pertença,  falta quase tudo. A relação juventude camponesa e capitalismo é repleta de contradições, não diferente das vividas pelos jovens urbanos, apesar dos jovens do campo terem particularidades acentuadas no sentido de pertença, de comunidade e de integração com a terra como parte integrante e constitutiva de seu ser. As contradições se dão no bojo do próprio sistema metabólico do capital que, ao avançar, intenta destruir tudo o que é próprio, particular, específico e originário.
Para isto 
 capital utiliza formas objetivas e subjetivas de se impor como modelo único e imperante frente a qualquer outro modo e critério de ver e viver a vida. É em meio ao que se tem, emanado pelo capital, e o que se deseja ser emanado da cultura camponesa, que este jovem se faz com dúvidas e temores que só podem ser, pouco a pouco, superados a partir de uma militância política engajada que o revele o mundo e as possibilidades de superação. Por mais desproporcional que seja a correlação de forças entre a juventude camponesa e o sistema do capital, é necessário notar que a juventude do campo é uma categoria que sempre se recria junto com o campesinato, sendo por vezes o elemento mais dinâmico da família camponesa e das comunidades. Em muitas comunidades e assentamento onde a Via campesina tem grande parte de seus moradores como seus militantes é a juventude camponesa quem dá a esperança de dias melhores, seja pela sua alegria, pela sua organização em grupos, ou seja pela disposição nos trabalhos da família  e da comunidade, enfim é a esperança da reprodução do ser camponês.


Relatório do I seminário nacional da Juventude da Via Campesina, com a participação de todas as organizações da Via campesina. Novembro de 2006, Escola Nacional Florestan Fernandes, Guararema- São Paulo. Participação de 60 dirigentes camponeses e 15 urbanos.

Cultura Camponesa

Texto, Equipe de Formação da PJR-RS, roteiro mensal do mês de junho de 2008, para grupos.

            O que significa cultura? São os costumes, as relações que as pessoas estabelecem entre si, em determinado local, tempo histórico, variando também com o modo de vida e com a faixa etária que se encontra. É herdada de gerações em gerações, influenciando no modo de comer, vestir, falar, ser... Desde que nascemos somos condicionados a viver em uma determinada cultura. Quem mora no Nordeste tem um modo de vida diferente de quem mora no Sul do Brasil, por exemplo. Assim como quem mora na cidade vive diferentemente de quem mora no campo. Este tema é muito amplo, pois também no campo existem diversas maneiras de viver. Nós enquanto jovens camponeses, herdamos alguns costumes como o cuidado com a terra e a natureza, a roça como lugar de vida, o cultivo de sementes crioulas, a solidariedade e a partilha com o próximo, festas e integração com a comunidade como os filós, aniversários, encontros de famílias, festas juninas...Um grande problema que a juventude camponesa enfrenta hoje, é a perda de sua cultura. Estamos dentro de um sistema que impõe um modo de ser e viver, que mata os princípios e valores camponeses a fim de sustentar o capital. Faz o jovem perder sua origem camponesa, sendo muitas vezes ridicularizado  Um bom exemplo disto são as festas juninas. 
             Sua história foi distorcida, passando uma imagem do camponês como um ser atrasado e sem educação, através do famoso ”Casamento na Roça”. As festas juninas na verdade, surgiram com o objetivo de celebrar a colheita, principalmente do milho, onde todos se reuniam para colher em mutirão e depois faziam uma grande festa, agradecendo a ajuda da comunidade e os frutos do trabalho.na roça. Partes disto ainda eram divididas entre as famílias Fazendo um contra-ponto ao modelo capitalista que rouba nossa identidade, impondo uma cultura individualista e consumista, a PJR, juventude da roça organizada tem como um de seus princípios, resgatar a verdadeira cultura camponesa. Propiciando um lazer diferenciado, valorizando a música, as lendas, a dança, a poesia, leituras e conservando hábitos culturais de cada comunidade.  

Retomada da Missão da PJR

Texto, Equipe de Formação PJR-RS, roteiro mensal do mês de maio de 2008 para grupos.
         Durante o ano passado e início deste ano, em todos os grupos de jovens do Brasil se discutia sobre a missão da PJR. Em Fevereiro deste ano, durante o Seminário Nacional e o 3º Acampamento Pedagógico da PJR - RS, o tema da maioria das discussões era a Missão da PJR. Então, através de todos os debates, foi elaborado um texto final, em relação a Missão da PJR, hoje, no início do nosso encontro, já comentávamos algo sobre isso, agora, queremos compartilhar com a juventude da PJR, o que todos ajudaram a construir!!

A Missão da PJR é:
  1. Evangelizar a juventude camponesa através:
Do serviço solidário e gratuito; do diálogo aberto e franco; do anuncio da boa nova do reino; do engajamento em um grupo (testemunho de comunhão);
  1.  
    1. Do profetismo(anuncio, denuncia e testemunho), diante dos desafios da sociedade;
    2. Do seguimento da pratica libertadora de Jesus de Nazaré, como Igreja, na construção do Reino de Deus.

  1. Conscientizar especialmente os jovens e as jovens empobrecidos do campo contribuindo:
    1. Na formação da consciência critica e política;
    2. No conhecimento da historia da luta do povo;
    3. Na resistência cultural.

  1. Formar militantes cristãos , discípulos e missionários ,para:
    1. Conhecer as juventudes e seu contexto;
    2. Realizar trabalho de base, visando o engajamento de mais jovens;
    3. Ajudar na nucleação de grupos de jovens;
    4. Contribuir na articulação entre grupos;
    5. Contribuir na organização da PJR e formação de protagonistas;
    6. Participar da comunidade e contribuir na renovação eclesial;
    7. Engajar-se nas “esferas do Reino” em vista do ascenso do movimento de massa, da transformação da sociedade e da construção de um projeto justo e solidário;
    8. Vivenciar os valores cristãos, especialmente o serviço, a solidariedade e a partilha.

  1. Contribuir na construção do Projeto Popular de campo articulado ao de sociedade, através:
    1. Do debate deste projeto com a juventude (participação popular);
    2. Da vivência da agroecologia como modo de vida e principio de produção;
    3. Da construção da educação do campo e no campo;
    4. Da democratização da renda e geração de trabalho;
    5. Da soberania alimentar;
    6. Da construção de espaços de lazer e arte-cultura;
    7. Da comunicação popular;
    8. Da democratização da terra e luta da pela reforma agrária;
    9. Da vivência de novas relações de poder.

Questões para debate:
A missão da PJR ainda está em construção até novembro deste ano, quando acontecerá a Assembléia Nacional da PJR. Convidamos todos a refletir sobre as questões abaixo e enviar para a secretaria Estadual.

1.      Na opinião do grupo, ainda ta faltando alguma coisa para a missão? Se houver, especificar.
2.      Eu estou disposto a assumir esta missão?
3.      Que práticas sugerimos para o grupo para ir colocando essa missão em prática?O que a leitura Bíblica que lermos anteriormente, tem a ver com a história e missão da PJR?


 Evangelizar é, através do testemunho de jovens cristãos e do anúncio, ajudar outros jovens a compreender e assumir a pessoa de Jesus Cristo e o Projeto do Reino de Deus.
 Estes quatro passos são intrínsecos (fazem parte) da evangelização e formam uma seqüência pedagógica a ser seguida na prática (cf. diretrizes gerais da ação evangelizadora - Doc. CNBB 71,15-16).
 A evangelização é uma ação eminentemente profética (cf. Doc. CNBB 80 p. 22).
 Reino de Deus (ou dos céus) é uma categoria teológica para designar o Projeto de Deus que não pode se realizar totalmente no processo histórico, por causa das contradições do ser humano. Ele já se realiza, no processo da história, em cada momento que o povo tem mais Vida, em que a sociedade de torna justa e solidária. Mas, esta realização parcial que está na sociedade atual é, ao mesmo tempo, sinal do Reino definitivo. Não é algo que se realiza apenas após a morte.
 Conscientizar é ajudar as pessoas a superar uma consciência intransitiva (ingênua, fechada, dogmatizada) em vista de uma consciência transitiva (crítica, histórica).
 São jovens que se assumem como cristãos que se colocam a serviço da transformação da sociedade a partir dos princípios e valores do Evangelho.
 Cf. o Documento de Aparecida, precisamos ser, ao mesmo tempo, discípulos (pessoas que optam por Jesus e se colocam a caminho) e missionários (anunciadores e forjadores do Reino de Deus e sua justiça).
 Entendemos por “esferas do Reino” todos os espaços de militância que assumimos, além da PJR. Pode ser: numa pastoral específica (como na CPT, por exemplo), num movimento popular; num movimento sindical; num partido político ou numa organização política; entre outros.
 Projeto de Sociedade em vista da transformação social, que está em construção, pela classe trabalhadora, neste momento histórico e visa ser um passo para a construção de uma sociedade que vá além do capital. Busca a implementação de reformas estruturais e o acumulo de forças para a transformação. Nesta construção somamos forças com a Via Campesina, as Assembléias Populares, a Consulta Popular e a Articulação da Juventude do Campo e da Cidade (também conhecida como Levante da Juventude).

TAREFAS DA JUVENTUDE PARA A JUVENTUDE

Texto, Equipe de Formação da PJR-RS, roteiro mensal do mês de Abril de 2008 pra grupos.
              Neste ano realizamos em Três Passos o 3º Acampamento Pedagógico da PJR, e muitos foram os desafios lançados para nosso trabalho. As jovens e os jovens que participaram deste encontro, refletiram e apontaram uma das grandes necessidade e tarefa que a juventude possui: construir espaços de participação na sociedade, de forma que possam contribuir na construção de um novo modo de vivere conviver (viver com), com relações e valores que contrapõem este modelo de sociedade imposto pelo capital.
            A juventude se organiza sempre que há necessidade de dar respostas a uma situação que não concorda. Percebemos que na sociedade há um projeto que quer enquadrar a juventude, impedindo-a de se organizar e pensar, pois sabem que os jovens possuem um potencial de rebeldia muito grande de ”fazer diferente”, ou seja, renovar, transformar (dar outra forma, outro rumo e outra lógica de funcionamento).
             A PJR é um serviço à juventude do campo e, ao mesmo tempo, uma experiência de organização de jovens da roça, que se organizam para contrapor-se ao projeto do agronegócio: baseado na monocultura e na concentração de terra por parte de empresas multinacionais. Desta forma, além de nos contrapor, buscamos resistir, construindo outras formas de produção no campo, de maneira que possamos produzir para nossa subsistência, respeitamos a biodiversidade.
            Para avançarmos, juntamente com as demais organizações do campo,  na construção do projeto da agricultura camponesa, que defendemos, as jovens e os jovens da Coordenação Estadual da PJR,reunidos em fevereiro, avaliaram a caminhada da PJR no ano de 2007, refletiram e apontaram as linhas de ação que deverão nos ajudar a avançar na produção do que almejamos, neste ano de 2008, que são:
a.      Fazer Trabalho de Base: visitar as jovens e os jovens onde eles estão (casa, roça, grupo, comunidade, escola);
b.     Ampliar o número de Grupos de Jovens e os acompanhar (os visitar e socializar na coordenação);
c.      Fortalecer a Articulação Regional (via Coordenação Regional) e articular a Macro (via Coordenação da Macro);
d.     Formar lideranças fazendo acontecer as Escolas Regionais e enviando jovens para a Escola Estadual;
e.      Envolver as jovens e os jovens em atividades realizadas em conjunto com as Pastorais da Juventude, os Movimentos Sociais e entidades, por exemplo:
                                                              i.      Jornadas de Luta da Via Campesina
                                                            ii.      Semana da Cidadania (abril)
                                                          iii.      Semana do Estudante (agosto)
                                                          iv.      Dia Nacional da Juventude - DNJ
                                                            v.      Grito dos Excluídos (setembro)
f.        Retomar e pontecializar os Grupos de Produção e Resistência - GPR;


Questões para debate:
1.      Como vamos desenvolver o trabalho de base com os jovens de nossa comunidade, de nosso município?
2.      Onde podemos contribuir na organização de novos grupos (em nossa região)? Como vamos fazer isto?
3.      Quem participa e como funciona a Coordenação da nossa Região (que municípios ela abrange)? A que Macro nos pertencemos?
4.      Quando e onde a Região irá organizar as Escolas de Formação aqui na Região? Quem irá preparar?
5.      Por que é importante participarmos de atividades junto com os outros? Quais as atividades que teremos para os próximos meses?
6.      Existe algum GPR aqui na nossa Região? Qual a diferença dele de um outro grupo de jovens? Quem está a fim de construir um GPR?

“Compromissos da juventude camponesa"

Texto, Equipe de Formação PJR-RS,roteiro mensal do mês de fevereiro de 2008 para grupos.

Olá querida juventude camponesa! Como estão todos e todas vocês?? E a roça, como está? Esperamos que este novo ano que iniciou possa ajudar a renovar nossas forças, nossas energias. Que reafirmemos nosso compromisso de lutas em favor de uma sociedade justa e igualitária.
             Sabemos que para isso se concretizar é necessário que a juventude camponesa, organizada pela PJR tenha consciência das muitas tarefas que tem a se realizar neste ano e nos outros que virão. Somente com uma juventude que tenha o domínio do conhecimento do que é justo e do que é necessário poderemos dar passos rumo a construção do Reino de Deus, a construção de uma nova sociedade.
            Frente a isso estarão acontecendo, no decorrer deste ano, alguns momentos que nos instigarão a estudar, aprofundar e tomar posição enquanto juventude camponesa.
            Um marco e a Campanha da Fraternidade  é EM DEFESA DA VIDA e seu lema clama: Escolhe, pois a vida. Ela retoma o tema da 31ª Romaria da Terra: “Juventude: luta e resistência em defesa da vida”.
Dentre tantos sinais de morte que existem na sociedade como os desmatamentos, uso de agrotóxicos, monoculturas, concentração de terras,  alagamentos por causa de hidrelétricas, desrespeito com os animais, geração de lucros sobre a exploração de trabalhadores, falta de acesso a educação e saúde de qualidade, a expulsão de diversas famílias do campo, que são jogadas em favelas dos grandes centros urbanos.
Diante disso, nós somos convocados pelo Deus da vida a fazer diferente, a denunciar tudo que vem contra a vida, e como lido antes: lutar pela vida em abundância para  todos e todas as pessoas!
            Outro marco é o 8 de março: Dia Internacional das Mulheres. Entre nós, ainda ecoa a ação de mulheres camponesas contra o plantio de eucalipto e pinus, que provoca o chamado “Deserto Verde” e ameaça o lençol freático. Esta é também uma forma de luta em defesa da vida.
            A partir disso nosso grupo de jovens é convidado a conversar, refletir: 
O que poderemos fazer em relação a isso que está acontecendo?
Como, nós jovens organizados pela PJR vamos fazer diferente? 
Mostrar sinais de vida contra tantos sinais de morte?

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Juventude: Luta e Resistência em defesa da vida

Texto da Equipe de Formação da PJR RS, roteiro mensal de setembro de 2007, para grupos .
           É com alegria e empolgação que a Pastoral da Juventude Rural assumiu o compromisso de que no ano em que completa 25 anos, ajudar na organização e preparação da 31ª Romaria da Terra, com o tema: ”Juventude: luta e resistência em defesa da vida”. Uma romaria para celebrar e refletir a nossa caminhada como PJR.
            O que nos faz repensar: pelo que lutamos? Pelo que a PJR luta? A resposta não poderia ser outra: pela permanência do jovem camponês na roça e não só permanecer mais fazendo isso de forma digna e com qualidade de vida e de forma cristã. Os textos bíblicos lidos nos ajudam a entender melhor o tema. O texto do êxodo nos fala da libertação do povo oprimido. O texto sugere uma seqüência de atos: vi a opressão, ouvi o clamor, conheço o sofrimento e desci para libertar, diante da situação do povo Deus não fica neutro: Ele age.
            A libertação acontece em dois tempos: luta contra a opressão e caminhada à terra prometida; resistência a uma mudança para o novo (tendemos a reproduzir a opressão). Deus envolve as pessoas para lutar pela libertação, como fez com Moisés, mas não abandona continua ao lado do povo. A PJR nasceu quando alguns grupos viram a situação que eles, como agricultores estavam vivendo. A partir da fé no Deus libertador começaram a se organizar contra um modelo econômico imposto para o campo: a revolução verde. Essa forma de se organizar se espalhou, não só pelo nosso estado, mas pelo país, pelo fato dela se identificar com luta dos jovens camponeses.
            A nova sociedade que queremos, também, passa por dois tempos: não basta ouvir e ver as opressões sofridas nos dias de hoje, temos que denunciar e caminhar; e os jovens resistir na caminhada para a “terra prometida”, a sociedade fraterna que tanto queremos.
            O texto bíblico de Jeremias nos mostra o chamado à sua vocação profética. É nesse contexto que Deus chama um jovem a assumir sua vocação que o acompanha desde sua geração no ventre da sua mãe. Nós, jovens, somos chamados a assumir hoje uma vocação profética. A vocação inclui a escolha, questionada por Jeremias por causa da aplicação e dificuldade, medo de ser incapaz. E Deus responde: “não tenhas medo, pois eu estou contigo”. É opção do jovem se colocar a serviço do povo com base na fé que leva a construção do Reino de Deus na história. A consagração que é apropriar-se de algo pra ajudá-lo na tarefa sagrada, Deus não da à mensagem feita mais o move e o coloca em atividades que o ajudem a se formar e atingir o objetivo: arrancar e arrasar, destruir e demolir toda forma de opressão, mas também de construir a nova sociedade e plantar a semente do novo, o Reino de Deus. É assumir uma bandeira de luta, e fazer parte de um Projeto Popular (como o de agroecologia). É uma nomeação que tem dimensão universal: já não somos mais simples jovens do interior; somos profetas do novo, fazemos parte de uma pastoral engajada na luta e na resistência, para que a transformação que acreditamos ser necessária, realmente aconteça.           Não é uma tarefa fácil, há 25 anos que os jovens da roça lutam e até mesmo dão sua vida por ela. Cabe a nós hoje continuarmos resistindo contra toda forma de opressão e assumirmos nossa vocação, nos pondo a serviço da juventude camponesa. E nesse momento histórico a 31ª Romaria da Terra irá acontecer para que juntos posamos celebrar a caminhada e os mártires destes 25 anos de luta e resistência em defesa da vida.